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Telrúnia - A cidade da Floresta


Quando se deu a queda do Reino de Anärion os elfos que sobreviveram se refugiaram nos Reinos do Sul. A rainha dos elfos Alainn pediu uma audiência com o rei do sul Benigno e este concedeu aos elfos os domínios da floresta central do reino desde que estes aceitassem as leis dos homens. A rainha aceitou e os elfos foram nomeados protetores da floresta. E assim surgiu Telrúnia, a Cidade da Floresta, os elfos ali puderam conviver em paz por um tempo e reorganizar sua sociedade com aqueles que sobreviveram, agora o contato com os homens era maior e estes respeitavam a floresta e os seus novos protetores.

A cidade foi erguida as margens do rio Flurinnë. Uma antiga árvore que havia no local foi escolhida para se transformar no pilar da cidade. A magia dos elfos fez com que a árvore crescesse ainda mais e nela construíram seu palácio, ao redor deste casas e edificações foram feitas e aos poucos a cidade crescia e se tornava bela. Vilas menores se espalharam pela floresta abrigando homens e elfos e Telrúnia se tornou um vislumbre da majestade que a capital do reino de Anärion possuía. A paz reinava na floresta e os elfos puderam ter um breve período de paz. As relações com os humanos agora eram mais próximas e os homens ajudavam os elfos na defesa do local enquanto os guerreiros elfos curavam suas feridas da recente guerra. O tempo passou e um pouco da antiga nobreza dos elfos de Anärion voltou a surgir na floresta, mas durou pouco e os elfos viram novamente seu lar ser consumido pelas chamas.

Os orcs haviam tomado Porto Verde e vieram numa investida que em pouco tempo acossou os elfos de Telrúnia, inúmeras vilas da floresta também sucumbiram, os elfos fugiram até o última vila antes do fim dos domínios da floresta, Vilazul. Ali prepararam melhor a fuga e migraram para Cidade do Porto procurando abrigo. VIlazul também foi tomada e toda floresta passou ao domínio dos orcs. Mas o sul pertence aos homens e estes enviaram exércitos para combater o inimigo. O rei marchou até Porto Verde e enviou os elfos sobreviventes junto a uma força humana para recuperar a floresta. A batalha que se seguiu foi sangrenta, da força que o rei mandou poucos sobreviverão e se Baken, comandante do exército de Porto Vermelho não tivesse enviado ajuda a Telrúnia talvez a cidade não houvesse sido retomada. Mas no fim prevaleceu a força dos homens e Telrúnia foi reconstruída pelos poucos elfos que sobreviveram.

A Rainha Alainn
O próprio Belchior Anärion, herdeiro legítimo de Anärion, participou da retomada de Telrúnia, porém sua mãe assinou um tratado de paz com Ghontar, novo comandante dos orcs, cedendo a eles os domínios de Anärion e dando fim a uma batalha que durou séculos. Belchior não gostou da atitude da rainha Alainn e abandonou Telrúnia. Muitos elfos que ainda mantinham o antigo orgulho fizeram o mesmo. Telrúnia agora é habitada pelos últimos elfos de Anärion e por homens, as vilas da floresta pouco a pouco estão sendo reconstruídas. Alainn rege a cidade. As guerras acabaram, mas agora são outros males que assombram a floresta e alguns dizem que tudo o que aconteceu é somente o prenúncio de uma terrível profecia que começou a se cumprir.

Pétrin - A cidade Mercantil

Quando um grupo de comerciantes viajava para o norte pelo passo leste das cordilheiras de ferro foram surpreendidos por uma comitiva de anões que descia para negociar no sul. Os viajantes fizeram acampamento próximos a um lago e por horas conversaram. Dentre os assuntos veio â tona construir uma cidade naquele local, uma cidade mercante onde eles seriam os senhores.

O território não pertencia a nenhum reino e assim tudo foi mais fácil, logo surgiu uma pequena vila que em pouco tempo cresceu muito e foi batizada de Pétrin. Alguns orcs habitavam as montanhas da proximidade, era um grupo pequeno mas possuíam um vasto conhecimento dos minérios que poderiam ser extraídos na região e portanto foram bem aceitos na cidade como fornecedores de matéria prima para forja. As embarcações que chegavam por mar podiam aportar na cidade subindo o Rio dos Quatro Amigos, um largo rio que ligava o lago as margens da cidade até o mar, outro rio menor que vinha das montanhas servia para trazer os metais e jóias das minas dos orcs.
Com o lema "Não há o que você procure que não se ache em Pétrin", a cidade mercantil prosperava e os quatro povos conviviam bem. A organização da cidade era impecável e causava admiração a todos que passavam por ali. A localização estratégica favoreceu ainda mais o investimento no comércio, já que o passo oeste das cordilheiras haviam se tornado perigosos e deixado de lado, assim o passo leste passou a ser amplamente usado por aqueles que viajavam por terra. A cidade conta com uma milícia fortemente armada e treinada, e leis severas quanto a qualquer tipo de combate, são poucos os aventureiros que se arriscam a arrumar confusões por ali.

Comerciantes em Pétrin
Elfos e Humanos praticamente compram e vendem os mesmos produtos, com a diferença em que os humanos compram mais armas e armaduras e vendem produtos alimentícios, enquanto os elfos têm mais interesse em jóias e vendem vinhos e cervejas e alguns produtos com magia. Anões vendem todos os tipos de produtos bélico para homens, elfos e orcs, e comercializam com todos, os anões foram os principais responsáveis pela entrada de orcs na cidade já que humanos e elfos guardavam mágoas desse povo. Orcs são os principais fornecedores de matéria-prima para os anões, têm muito interesse na maioria dos produtos élficos e contribuíram massivamente para a milícia da cidade, tanto com dinheiro quanto com guerreiros.

A cidade é considerada pelos que a visitam como a mais bela de todos os reinos, isso devido a habilidade dos anões em construção somada a sutileza dos elfos com a natureza, prédios se misturam com a floresta sem que afetem sua beleza. Sua administração não deixa nada a desejar, com ruas limpas, terrenos bem distribuídos e alta segurança. Quem adentra pelo Rio dos Quatro Amigos, se depara com uma imensa escultura de quatro amigos sentados a mesa desfrutando de um banquete onde cada uma das estátuas representa uma das raças que habita Pétrin, e quem chega pela estrada da floresta, ao chegar avista um grande portal com os dizeres nas quatro línguas "Bem vindo ao Jardins dos Deuses"

Por Gabriel "Ló" Arantes.

Mards

Quando um barco parte do sul pela costa oeste de Ferius, ou quando um viajante mais ousado cruza o passo oeste das Cordilheiras de Ferro, a primeira grande cidade que encontram é Mards. Um local propício para comércio e estadia.

Mards não passava de uma pequena vila antes da grande saga dos homens que dominaram rumaram ao sul dos continentes. Mas depois desse ocorrido a cidade se expandiu de forma muito rápida, eram necessárias provisões que partiam do norte e a localização estratégica da vila foi crucial para que dali partissem os barcos que deveriam levar tudo que os colonizadores necessitavam. Com isso a cidade de desenvolveu e mesmo quando o sul já não necessitava mais das embarcações que partiam carregadas de provisões Mards se manteve como cidade mercante. Vários navios chegam e partem dos portos da cidade a todo o tempo, sempre carregados de mercadorias de todos os tipos. Caravanas que cruzam os desertos ou que seguem mais ao norte para comerciar por terra sempre partem dali, uma excelente oportunidade para mercenários que desejam um trabalho, os senhores mercantes destas caravanas pagam um bom peso em ouro pela segurança de suas mercadorias.

A população local é bem diversificada, pessoas de todas as partes do reino se instalaram ali e fizeram do local sua base de negócios abandonando as viagens nas mãos de empregados de confiança, em sua maioria são humanos, vindos do sul, do norte ou do deserto, elfos da região de Lehfluin também residem ali, até mesmo elfos que antes viviam nas profundezas da parte oeste das Cordilheiras de Ferro são encontrados em Mards. Apesar de serem raros, mercadores orcs também residem na cidade e não menos raros alguns anões se aventuraram a trocar as montanhas para se tornar cidadões de Mards e comerciar as maravilhosas armas deste povo. A diversidade racial do local não incomoda e todos os povos são bem vindos e existe uma convivência pacífica na cidade, desde que ninguém se intrometa nos negócios alheios.

A cidade é governada por uma única pessoa, esse assume o cargo através de uma votação entre os mais influentes mercantes do local e este cargo é vitalício. Quando um regente morre em uma semana outro é eleito para ocupar o seu lugar. Uma bela mansão no porto de Mards é a sede do governante da cidade. Atualmente a cidade é governada por um homem de aproximadamente oitenta e cinco anos, sua origem é simples, mas quando jovem táticas ousadas de comércio o levaram a ascender na vida rapidamente e lhe deu o status de grande mercador, está no cargo a vinte e oito anos e sua idade avançada já gera especulações de quem será o novo governante, apesar de Hash, como se chama o velho governador, jurar que ainda tem saúde para viver mais cem anos.

O sossego que as pessoas encontram em Mards para uma boa noite de descanso após uma viagem é uma opção, porém diversas tavernas oferecem bebidas de todos os cantos do mundo e mulheres estão sempre a postos para aquecer as camas de viajantes solitários. É muito comum um aventureiro parar por ali para obter informações e devido ao fato deste lugar receber pessoas de toda Ferius, sempre há alguém disposto a contar uma história sobre tesouros e outras coisas maravilhosas, cabe aos ouvintes acreditarem ou não no que é dito.


Turas - A cidade itinerante

"Achei que era algum exército acampado, mas quando me aproximei encontrei uma cidade só que ao invés de casas, haviam tendas.
 Fildhs - vagante de Turas.

Alguns diriam que Turas é um acampamento gigantesco, mas seus "vagantes" como preferem ser chamados os cidadãos de Turas preferem a chamar de cidade viajante. Tudo começou com um pequeno grupo de comerciantes viajantes que vagavam pelo mundo com suas famílias numa pequena caravana escoltada por alguns mercenários. Como vagavam por muitos cantos e acampavam esporadicamente nas proximidades de alguma grande cidade, era comum que algumas pessoas se juntassem a caravana. Com o tempo mais comerciantes aderiram a prática e levaram suas famílias, os mercenários passaram a viajar somente com aqueles comerciantes e se tornaram a Guarda Vagante. O acampamento abrigava pessoas de todas as raças e localidades de Ferius e já contava com aproximadamente um milhar de pessoas quando foi realizado uma eleição entre os mais velhos mercantes da caravana para determinar quem seria o Rei Andarilho. Uma votação também elegeu o nome para o acampamento que foi então batizado de Turas, que na língua antiga significava "aquela que viaja".

Gus, o Ferreiro trabalhando em sua famosa tenda
A cidade, se é que assim pode ser chamada, nunca fica por mais de uma semana em uma única localidade e não há uma rota programada. Os mercantes simplesmente partem após alguns dias de acampamento para negociar em outros cantos. Há tendas de todos os tamanhos e com os mais variados produtos. A cada dois anos é feita uma eleição que determina o Rei Andarilho. A caravana possui suas próprias leis e aqueles que viajam junto a ela as obedecem. Dentre as tendas mais famosas está a Tonéis com Rodas, uma taverna itinerante que comercia bebidas conhecidas em todos os locais do mundo, até mesmo o famoso vinho de Turinnia. Outra tenda que merece destaque é a Faca Afiada, uma tenda famosa por suas lâminas feitas com os mais variados tipos de metais.

Turas já é afamada por todos os locais que passou e apesar de sempre estar em terras alheias, os senhores das terras em que a cidade passa respeitam as regras que são impostas dentro do acampamento. 

Turinnia

A ilha estado de Turinnia fica a leste das montanhas geladas, e desde sempre foi terra de povos pacíficos e ordeiros, conhecidos apenas como pequenos, pela sua baixa estatura e comportamento simples. Eles se chamam de Turins, e são em sua maioria descendentes de povos antecessores às guerras, de mares mais distantes. 

Turinnia é composta por 5 vilas de caçadores e pescadores que se dividem em torno do imenso lago de Turinen. São chamadas de Focus, Lucida, Aira, Petrell e Lacqua . O lago está congelado o ano todo, exceto por 3 dias durante o final da primavera e entrada do verão, quando ocorre o festival de Huhamma, festa dos povos de Turinnia pela fertilidade e pela abundância da pesca.

Nas montanhas vivem apenas monges, que ali formam uma comunidade isolada, que quase nunca trava contato com outros povos, sendo chamados ali apenas de "os brancos" pelos pequenos. Ali eles vivem em paz, e desenvolvem sua própria cultura e costumes de acordo com os seus antepassados. O local costuma ser morada também de tigres e ursos, o que afasta ainda mais o contato entre os dois povos

Vinhedo ao sul de Lucida
Turinnia é conhecida também por possuir o melhor vinho de toda Ferius, produzido no extremo sul, nos pouccos campos que verdejam nesta ilha gelada. É costume por lá contar histórias sobre como homens fortes que os visitaram já sucumbiram com uma única caneca nos braços de seus companheiros, inebriados. É o mercado deste vinho que sustenta algumas necessidades dos pequenos, como metais e outras especiarias do continente. Lá pode-se encontrar trabalhos de artesanato magníficos, como cachimbos, adornos para armas e armaduras, e todo tipo de trabalho em madeira, que é sua especialidade. Apenas em Turinnia cresce o Hëmmold, a árvore que possui a madeira mais sólida e resistente de Ferius.
Turinnia e a região das montanhas geladas


Khristalya - A última cidade.

As terras castigadas pelo intenso frio do norte tornaram-se mais populosas após uma antiga, e dura, batalha que durou muitos anos. Mas não foram as pessoas que fugiram para o norte, escapando da batalha, os primeiros habitantes do local. Muito antes de qualquer homem do sul, chegar até essas terras já estavam lá o povo de Khristalya, a última cidade de Ferius.

As pedras que constituem as edificações da cidade adquiriram ao longo dos tempos uma leve camada de gelo o que da a impressão que a cidade é toda de cristal, dai vem seu nome. Não se sabe quando foi fundada ou por quem, na biblioteca do local existem papiros quase ilegíveis que contam diferentes versões sobre como a cidade foi feita, mas nenhum deles é conclusivo.

A população é constituídas por humanos, estes são apenas chamados homens do gelo, são fortes e guerreiros natos, as mulheres possuem belas madeixas cor de fogo e são dotadas de uma beleza incomum. A cidade fica localizada entre as cordilheiras de montanhas chamada Mandíbula do Lobo. Apesar de ficar em um local tão castigado pelo gelo, Khristalya é uma cidade rica. O local consta  com algumas estufas que foram construídas pelos habilidosos anões, isso possibilita o cultivo e a alimentação da população local. Uma das mais famosas fontes de renda é que provém do comércio do hidromel "Doce Urso". A fama dessa bebida é tanta que mercadores do mundo inteiro compram tonéis  e a revendem a preços elevados em suas tavernas sulistas. Várias vilas que ficam próximas a cidade são subordinadas ao Rei do Gelo. Castelo Frio é o nome do palácio em Khristalya que abriga a família real.

As estalagens do local estão sempre abrigando hóspedes, alguns vem pelo hidromel outros por aventuras nas terras congeladas, os mais audaciosos vem em busca do Guardião da Mandíbula e param em Khristalya, o último lugar seguro antes da empreitada arriscada nas montanhas. A população local está acostumada com os visitantes e sempre estão disposto, desde que bem recompensados, a revelarem locais que supostamente abrigam tesouros perdidos ou até mesmo covis de dragões do gelo para aventureiros mais ousados. Guias conhecedores das montanhas que levam até o guardião também podem ser contratados nas tavernas. A mais famosa estalagem é a Toca do Lobo, fica esculpida dentro de uma caverna muito bem aquecida, para viajantes pouco acostumados com o frio o calor provido de uma boa bebida nortenha é um atrativo suficientemente forte para uma visita.

Apesar de ser uma cidade pacífica, as habilidades guerreiras dos homens de Khristalya são exigidas de tempos em tempos. Além dos temíveis dragões de gelo que habitam a Mandíbula, há também os gigantes do gelo. Algumas vezes esses seres atacam as vilas vassalas ao Rei de Gelo ou até mesmo a grande cidade, quando isso ocorre a fúria dos homens do norte é sentida e seus inimigos sofrem retaliação. Mas um dos inimigos da cidade nunca foi morto. O Terror Gelado, como é conhecido, um gigante que assola as pequenas vilas e leva criações e algumas vezes jovens donzelas. Uma gorda recompensa é oferecida a qualquer pessoa destemina que dê cabo de uma vez por todas deste temível inimigo da última cidade de Ferius.

Vil'Alvah

Quando Samarah libertou suas bestas pelo mundo e ocorreu a grande batalha muitos fugiram para o norte e pra longe de todo o caos. Os bravos povos de Ferius se uniram e derrotaram os seres infernais restabelecendo a paz. Muitos então retornaram para suas casas abandonando o frio do norte pra trás e partindo para reconstruir suas vidas, outros ficaram nas terras geladas. Um grupo que havia sofrido muito na dura baralha que se encerrara decidiu não retornar, haviam se estabelecido no sopé de uma das muitas montanhas que cercam a Floresta Assombrada. Ali fundaram seu pequeno vilarejo e o batizaram de Vil'Alvah.

A princípio não se relacionavam com ninguém, visitantes nunca foram bem vindos e não mantinham relação comercias. Plantavam quando o tempo era propício, mantinham criações e caçavam nos arredores do vilarejo, evitavam ao máximo ficar a mais de dois quilômetros do local onde viviam. Apesar de haver paz novamente no mundo não conseguiam confiar em mais ninguém e quando alguém resolvia partir os mais velhos sempre alertavam do mal que havia lá fora e jamais deixavam de mencionar que foi uma cidadã de Ferius que trouxe a destruição ao seu próprio mundo. Mas na essência o povo do pequeno vilarejo isolado sempre fora bom, somente estavam descrentes com os demais povos e perderão a confiança em todos que não fossem dos seus.

O tempo passou e Vil'Alvah continuou sua rotina, a necessidade os levou a criar rotas de comércio com outras cidades do norte. Viajantes passaram a ser mais aceitos na pequena vila e até mesmo uma estalagem funciona atualmente no local. Mas alguns costumes nunca são deixados de lado, e qualquer um que demore demais na cidade é mal visto e alguns até mesmo somem misteriosamente.

Por Mônica Fracca

Solar dos Eruditos

Quando se atravessa o Pântano Estreito rumo vindo da região do grande deserto, ao oeste existe uma cordilheiras de montanhas onde habitam a poderosa raça dos anões. Ali eles construíram diversas cidades esculpidas no coração das rochas e governam seu reino sob a montanha de seus magníficos salões. Mas de todas as cidades desta localidade é uma que reúne pessoas de todos os povos a mais magnífica. É chamada Solar dos Eruditos e fica localizada no topo de um dos montes ao sul dessa cordilheira.

Havia a muito tempo atrás somente uma cabana no local onde morava Kheto, um anão que se dedicava aos estudos dos astros. Ele era possuidor de grande sabedoria e era frequentemente visitado pelos senhores anões que buscavam conselhos, previsões e outras coisas que envolviam os conhecimentos de Khetos. A fama deste anão se espalhou e outros povos vieram por sua sabedoria. Alguns resolveram ficar e se tornar discípulos do anão. Outros sábios também vieram e se alojaram ali, nascia assim o Solar dos Eruditos.

Khetos continuou seus estudos até os últimos de seus dias e após ele outros deram prosseguimento ao seu trabalho. Hoje a cidade está aberta a todos que desejam sabedoria. As pessoas do local não mantém comércio, se alimentam com o que plantam e a água que os abastece vem de uma imensa cachoeira que fica próximo a cidade. Mas o maior destaque do local é o Olho de Khetos. Esta edificação conta com uma tecnologia que só é encontrada ali. Os grandes mestres vidraceiros de Dhunas trabalharam arduamente para construir vidros especias e os levaram até o Solar ali construíram uma estrutura oca e cilíndrica e dentro dela alinharam habilmente seus vidros de modo que quem olha da parte de baixo da estrutura pode ver as estrelas e astros como se eles pudessem ser tocados. Isso possibilitou avanços significativos nos estudos. O local conta também com uma biblioteca que possui no seu acervo anotações de todos os sábios que ali viveram, dentre estas estão escritos do próprio Khetos.

Não há regentes na cidade, uma pequena guarda é mantida no local pra manter a ordem. Existe ali também uma estalagem que abriga os visitantes do local. Hoje pessoas de todas as raças vivem ali, alguns conduzem estudos por alguns anos e depois partem, outros vem por uma temporada e acabam se estabelecendo. E assim o legado de Khetos permanece vivo.

Skugh - A cidade afundada

A região pantanosa que fica na porção continental mais estreita de Ferius já foi uma região importante do mundo. Uma grande cidade chamada Skugh ali foi fundada e era muito frequentada pelos viajantes que desejavam chegar ao norte ou de lá retornar pelas complicadas estradas do local, várias vilas menores surgiram pelos pântanos e também prosperavam graças a esta cidade. Mas Skugh cresceu demais e seus habitantes não puderam prever as consequências desse crescimento.

Os senhores do local julgaram que uma cidade imponente merecia uma edificação majestosa para abrigá-los e ordenaram aos construtores que erguessem um palácio magnífico que causaria admiração a todos que o vissem. Gharamur era o mestre construtor da cidade e alertou aos senhores que aquilo era absurdo e que o local não suportaria tal construção. Os senhores contrariados o dispensaram e ordenaram aos seus subordinados que dessem conta da obra, e assim foi feito.

Uma grande festa foi planejada para marcar a inauguração do palácio, todo o povo local foi chamado e tudo parecia bem até o momento em que todos se reuniram no pátio do palácio, neste momento o chão cedeu e o grande palácio começou a afundar, senhores importantes e pessoas comuns corriam desesperadas e em pouco tempo a cidade inteira foi tragada pelos pântanos, muitas pessoas desapareceram junto com a cidade e aqueles poucos que sobreviveram perderão tudo e se refugiaram nas vilas que haviam naquela região.

Com o passar do tempo viajantes preferiam utilizar dos barcos para cruzarem seus caminhos evitando o local, as estrada do pântano viraram rota alternativa para pessoas que não podiam pagar a passagem por mar. As vilas do local permaneceram mas com a extinção de Skugh tornaram-se lugares pobres e servem apenas de estadia curta aqueles que viajam por ali. O pântano se alterou e várias partes da cidade afundada ressurgiram, essas foram então habitadas por criaturas que servem como protetoras do local, mas isso não impede que alguns aventureiros ousados se arrisquem numa visita a cidade em busca dos inúmeros tesouros que afundaram no dia da inauguração do grande pálacio.

Dhunas

Localizada em um imenso oásis no centro do grande deserto, a cidade de Dhunas é uma das mais belas de toda Ferius. A princípio não passava de um pequeno vilarejo que servia de descanso para os viajantes do deserto, mas isso mudou quando um grupo de feiticeiros que estavam interessados no estudo dos efeitos mágicos ali existentes se alojou na cidade, eles ficaram maravilhados com a beleza natural existente no meio de terras inférteis e decidiram investir no desenvolvimento do local e fazer ali uma sede para seus estudos, rapidamente ganharam a confiança do povo e a cidade prosperou, ruas foram criadas e pavimentadas com tijolos, mestres construtores foram chamados para erguer prédios resistentes ao clima do local, lagos artificiais foram feitos entre outras coisas. As notícias da cidade do deserto correram pelo mundo e muitos viajantes vieram para conhecer. A cidade prosperou.

Três lugares merecem destaque na cidade. O Mercado de Dhunas, as Pálacio da Deusa e Salão dos Sábios. No mercado é possível encontrar especiarias que só crescem nesta região, muito famosas por suas propriedades mágicas e alvo de alquimistas de todos os cantos. Há também vários ferreiros famosos por suas lâminas curvas, leves e mortais, mas o destaque principal fica para os artificies especializados na fabricação do vidro, suas técnicas são lendárias e recebem encomendas de toda Ferius por seus magníficos trabalhos. O Palácio da Deusa foi o nome dado ao local onde foram construídas piscinas para a população, o nome é uma homenagem a Balenna, que apesar de não ser uma das principais divindades do local é muito respeitada. O Salão dos Sábios é a construção mais antiga da cidade, ali se encontram feiticeiros e estudiosos de todos os cantos do mundo, neste local as crianças são instruídas nas artes da escrita e leitura e aqueles que mostram interesse são aceitos como aprendizes dos feiticeiros.

A população local é formada basicamente por humanos, facilmente reconhecidos por sua pele escura, comuns a todos os povos do deserto. No entanto devido as Salão dos sábios é comum ver pessoas de outras raças que vem a cidade atrás de conhecimento e acabam se fixando por ali. As tavernas da cidade estão sempre lotadas, nestes locais sempre se escuta lendas que aguçam os sentimentos de um aventureiro e que levam muitos a vagarem pelos desertos em buscas de tesouros perdidos. A principais divindades dos cidadãos são Deon e o Guerreiro.

A regência da cidade fica a cargo de um conselho formado por cinco cidadãos Dhunenses, um feiticeiro, um guerreiro, um servo dos deuses, um estudioso e um cidadão comum. Estes cinco são eleitos pelo povo a cada três anos. A cidade ainda conta com uma milícia treinada para manter a ordem nas ruas.

Dhunas é uma cidade que se relaciona bem com todas outras, mantém rotas comerciais com anões das montanhas, elfos das florestas e homens do litoral. É uma cidade respeitada e qualquer um que chega até ela é bem recebido. Como diz um velho ditado local "Os perigos do deserto de encerram quando se atravessa os portões de Dhunas".


Azenghar - A cidade na montanha"

"Atravessei a cortina de água procurando um abrigo e o que encontrei foi uma cidade esculpida no coração da montanha".
Byrdh "Língua Divina" - ao encontrar por acidente a entrada de Azenghar.



Conta-se que um grupo de anões resolveu explorar as terras abaixo das cordilheiras montanhosas, que limitavam os desertos do norte, e no sul encontraram um montanha solitária cercada por florestas. Havia ali uma maravilhosa queda d'água e ao explorarem com mais cuidado descobriram uma caverna que dava acesso ao interior da montanha. Acharam que ali seria um belo lugar para uma nova cidade. Marcaram o lugar e rumaram de volta ao norte. Quando retornaram construíram no interior da montanha uma das mais magníficas cidades existentes em todo o mundo e a chamaram de Azenghar.



Azenghar é politicamente independente dos Reinos do Sul. Fica localizada no interior da montanha conhecida como Dente do Dragão. Sua população é constituída somente por anões, são pacíficos, mas as leis da cidade impedem que qualquer outra raça se estabeleça em seus domínios, no entanto visitantes são sempre bem tratados desde que não perturbem a paz do local. Apesar de ficar fora de qualquer rota de comércio e não possuir um porto Azenghar é frequentemente visitada por grandes mercadores de jóias e armas de todo o sul.

A entrada da cidade está localizada em uma caverna oculta por uma imensa cachoeira com mais de cem metros de queda e aproximadamente vinte de largura. Após passar pela queda d'água o que se vê é maravilhoso, casas perfeitamente esculpidas na pedra, ruas pavimentadas, rios subterrâneos e um lago no centro da cidade de água tão cristalina que é possível se enxergar perfeitamente o que há em seu interior. Durante o dia a iluminação da cidade é devida a fendas esculpidas na montanha, na saída de cada uma delas espelhos posicionados habilmente direcionam a luz para um enorme cristal que reflete a luz em todas direções espalhando vida por todos cantos. No interior da montanha existe um tipo de vegetação que só ali pode ser encontrado, são plantas, conhecidas como Flores da Lua, com em média três metros de altura. Ao cair da noite no mundo exterior  estas flores emitem um leve brilho azulado o que permite que mesmo na falta de luz solar ainda seja possível caminhar em Azenghar. Nas profundezas das montanhas ficam as minas, onde os anões retiram a matéria prima de seus magníficos trabalhos. Segundo alguns existe um minério neste local que quando é trabalhado adequadamente pode se obter o mais leve dos metais e as lâminas mais mortais.

Apesar de possuir uma população pacífica isso não impede que os anões de Azenghar se aventurem pelos Reinos do Sul ou até mesmo no norte onde possuem parentes distantes, é comum encontrar vários anões que partem pelo mundo em buscas de aventuras e depois retornam para a montanha onde terminam seus dias em paz. O próprio Khori Hammer, regente da cidade, ficou conhecido nos Reinos do Sul como "Machado dos Ventos" pois quando jovem viajou pelos reinos em grandes aventuras com um antigo grupo de exploradores que autointitulavam-se "As Cinco Lâminas". 
Khori - Senhor de Azenghar
                              

Porto Verde

Porto Verde foi construída para ser idêntica a Porto Vermelho e além disso com o mesmo propósito, defender o reino, mas o construtor chefe que trabalhou na cidade resolveu cobrir os muros da cidade com uma planta trepadeira. Quem chega a cidade, por mar ou por terra, vê uma cidade com amuradas num magnífico tom de verde, e assim o local recebeu o nome.

Apesar de ter sido construída para servir de escudo para o reino, Porto Verde nunca precisou lutar, quando um inimigo ameaçava o reino por mar, Porto Vermelho ou a Lança davam combate e os ressarciam. Os homens de guerra abandonaram a cidade deixando apenas uma guarda local e migraram para outros lugares onde pudessem colocar as espadas a prova. A cidade tornou-se rota de mercantes e servia principalmente como porto de comércio entre homens e elfos de Anärion.

Quando se deu a queda de Anärion, alguns elfos refugiados se instalaram em Porto Verde. Orcs vieram então e pela primeira vez a cidade estava sob ataque, mensagens foram enviadas as pressas para a outra Gêmea e Porto Vermelho rebateu os orcs daquela vez.

O tempo passou e apesar de sempre haver noticias de orcs invadindo o continente para atormentar os elfos na floresta, Porto Verde permanecia em paz. Mas a história da cidade teve seu dia mais triste. Naquele dia, junto com o ocaso chegou uma frota de inúmeros navios orcs e desta vez mensagens não chegariam a tempo, a cidade sofreu um terrível ataque e em pouco tempo estava tomada, muitos fugiram e os poucos que tentaram defender a cidade morreram na tentativa. Foi um ataque súbito e bem planejado chegou até a se comentar a possibilidade de traição por alguém de dentro da cidade. A tomada da cidade foi só uma estratégia dos orcs para avançar contra Telrúnia que também pereceu rapidamente no ataque. Mas o rei interviu e a cidade foi retomada sem batalhas. Ghontar, um orc respeitado assumiu o comando dos orcs que estavam em Anärion após o ataque a Porto Verde e quando o rei chegou os portões da cidade estavam abertos e Ghontar esperava desarmado para entregar a cidade. O próprio comandante orc não concordava com aquele ataque e entregou todos que participaram do ataque a justiça do rei. Os outros que avançaram até Telrúnia tiveram seu fim pelas mãos de uma pequena força de elfos e homens e também pelos guerreiros de Porto Vermelho liderados por Baken.

Porto Verde estava de novo reconstruída e homens e orcs assinaram um tratado de paz. Ghontar enviou os orcs de volta a Anärion, aquela ilha era agora deles e os homens não interfeririam nesses assuntos. Desde que os Reinos do Sul surgiram Porto Verde foi a primeira cidade humana que caiu diante de um ataque. Já faz um ano desde que isso aconteceu e o ocorrido deixou cicatrizes na cidade e no povo. 

Líniven - A cidade estado do Oeste


Antes mesmo dos Reinos do Sul surgirem, vieram dos mares do oeste embarcações pouco comuns para o continente de Ferius. Aportaram numa ilha ao oeste de Farol Corsário e decidiram que ali seria um bom lugar para fundar uma cidade estado a qual chamaram Líniven. Não se sabe exatamente se este fato é verdade, mas quando o sul de Ferius foi povoado muitos navios piratas já navegavam pela região da Baía Naufrágio e sabe-se bem que este tipo de embarcação é comum nos portos de Líniven. 

A causa desse povo ter navegado até a ilha e o local de onde vieram é desconhecido. Possuem modos e cultura totalmente diferentes dos Reinos do Sul. Suas comidas e especiarias, arte exótica e seus bardos são conhecidos no mundo todo. Os guerreiros dessa cidade preferem o uso de lâminas curvas e cimitarras tão comuns nas cidades do Deserto Sharionn. A maioria da população local é constituída de humanos e estes possuem uma pele queimada pelo sol.

Eles são responsáveis por um artefato que chamam de pólvora, muito apreciado por piratas que não são considerados criminosos em Líniven, desde que não causem problemas a cidade, fato que causa muitas divergências com a Cidade do Porto e seu rei. Outro fato curioso é a população de goblins, estes são aparentados dos orcs, mas são menores. O povo dessa raça são exímios engenhoqueiros, embora a confiabilidade de suas máquinas seja duvidosa, são pacíficos e submissos constituindo assim boa parte da mão de obra dos trabalhos pesados da cidade. Outros preferem tentar ganhar a vida como marinheiros. 

A cidade tem um enorme centro comercial onde se pode ser encontrado quase tudo, algumas coisas consideradas ilegais de acordo com as leis dos Reinos do Sul, mas como a cidade não faz parte desse reino isso pouco importa. Outros itens de origem duvidosas são vendidos em ruas mais afastadas. Dizem também que há um mercado de escravos nessa cidade, prática normal para este povo. Apesar de tanta tolerância a guarda da cidade é muito eficiente em deter quaisquer coisas que que sejam danosas a cidade e seus cidadãos, principalmente se a causa for estrangeira.

Aproximadamente quarenta mil pessoas vivem em Líniven que possui belos prédios e monumentos com ar exótico que não deixa a desejar quando comparadas as grandes cidades do sul. Há também uma arena onde lutadores buscam glória e renome. A cidade é governada pelo Marquês de Líniven Cyrion Alamud, um homem muito rico e assim como sua cidade muito exótico, na única vez que visitou a Cidade do Porto foi considerado "indelicado" pelos padrões dos Reinos do Sul, porém é um comerciante feroz e adorado por seu povo, o qual governa de forma eficiente e justa.

A tolerância com a pirataria e a entrada de artefatos "ilegais" na ilha deixa as relações diplomáticas um pouco tensas com os Reinos do Sul, mas desde que isso prejudique os negócios não há porque a cidade estado se importar com isso.

Por Gustavo "Benivos" Ribeiro.


Porto Vermelho



"Por que se chama Porto Vermelho? Ora meu caro, o sangue de todos que tentaram nos invadir tingiu os muros da cidade."
Baken - Comandante da Guarda de Porto Vermelho 

Quando os homens dominaram o sul era preciso proteger seu novo reino. Assim sendo Thalimor, o primeiro rei dos Reinos do Sul, enviou homens as terras banhadas pelos mares mais ao sul e mandaram ali construir duas cidades para garantir que invasores não chegassem por ali. As ordens foram cumpridas e duas cidades foram erguidas, seus construtores resolveram então fazê-las iguais. Por muito tempo quando se referiam as cidades as chamavam somente de Cidades Gêmeas.

A cautela do rei não se mostrou inválida e muitos tentaram chegar aquelas terras, e a primeira  cidade que encontravam, chamada somente de A Gêmea de Cima, lhes dava combate, os guerreiros do local eram homens muito capazes e expulsavam seus invasores com tamanha ferocidade que logo foram ficando cada vez menos frequentes que o lugar estivesse sob ataque. O sangue daqueles que tentavam tomar a cidade se espalhava pelos mares que banhavam os muros da cidade e A Gêmea de Cima passou a ser conhecida por Porto Vermelho.

Como a cidade sempre foi dedicada a proteção, seu exército era de se orgulhar, as forjas da cidade ficaram famosas pela perfeição das armaduras e armas ali criadas. Dizem que espadas comuns se afiam em pedras de amolar mas somente carne e ossos mantém as espadas de Porto Vermelho afiadas. Com ferreiros tão habilidosos a cidade logo ficou famosa e viajantes de muitos lugares vinham somente pra conseguir um aço de qualidade.

Somente uma vez Porto Vermelho vacilou em suas defesas, esse episódio sombrio nunca foi esquecido peça população local e não houve um segundo erro. Alguns dizem que somente os guerreiros dessa cidade se comparam aos de Lança do Mar e talvez agora isso tenha que ser verificado uma vez que a Lança inicia uma rebelião contra os Reinos do Sul. A regência da cidade sempre fica ao encargo do Comandante da Guarda e atualmente essa posição é ocupada por Baken, um nobre e velho guerreiro que esteve por anos afastado de seu cargo e recentemente o retomou. Alguns da cidade afirmam que a espada do regente já serviu outros propósitos e não é difícil ouvir que ele pertenceu as "Cinco Lâminas", embora Baken nunca tenha confirmado a verdade disso.

Vila da Travessia

A Travessia
No encontro das entradas que levavam as mais importantes cidades do sul uma estalagem foi construída para abrigar os viajantes que por ali passavam. Na "Travessia", como era conhecido o lugar, havia um bardo que escutava atenciosamente todas as histórias que as mais diversas pessoas que passavam por ali contavam e habilmente as transformava em canções. Suas apresentações ficaram tão famosas que certa vez o rei lhe propôs terras e honrarias se ele se tornasse seu bardo pessoal. O bardo recusou dizendo que na corte não haveriam histórias e assim seu encanto acabaria.

As pessoas viajavam para ouvir suas canções, e algumas por ali ficavam, logo a estalagem estava cercada de casas e a vila que ali nascia foi batizada de Vila da Travessia em homenagem a estalagem que deu origem a tudo. Hoje a cidade conta com uma pequena guarda e um pequeno porto no lago onde barcos levam viajantes pelo rio até a capital e outras vilas menores. Há também uma pequena feira na cidade onde viajantes expõem suas mercadorias e cidadãos do local montam suas barracas oferecendo serviços variados. Outras estalagens também surgiram, mas nenhuma alcançou a fama e o status da Travessia.

Tendo uma localização privilegiada tornou-se uma cidade de enorme importância para o reinado, a estalagem ainda está lá  e é um dos maiores atrativos do local. Dizem que o afamado bardo que gerou tanta prosperidade ao lugar escondeu seu alaúde em algum lugar da cidade e dizem que o instrumento é capaz de proezas como conquistar favores da realeza ou deixar qualquer donzela apaixonada. Essa lenda ainda trás muitos cantores a cidade, mas até hoje ninguém foi capaz de encontrar o famoso alaúde ou se o fizeram nunca ninguém soube.

As guerras que se espalham pelo sul tem deixado um clima de incerteza na pequena cidade, mas os aventureiros que ali residem garantem que enquanto houver cerveja na Travessia nada de mal acontecerá ao lugar.

Porto Casto

"Eu imploro, matem-me agora mas não me deixem neste lugar..."
O assassino Fhyls - ao ser trancado na prisão de Porto Casto


A prisão de Porto Casto
Por uns tempos a Baia Naufrágio era repleta de piratas atacando embarcações que vinham do norte. A Lança então enviou uma frota de guerra para garantir a segurança dos navios mercantes. O Capitão da frota era Gardhneus, ou Gardh "o Puro" como era conhecido, um fiel seguidor de Vaya. Quando derrotaram os bandidos Gardh sentiu que aquele lugar precisava de proteção. Voltaram sua frota até a Cidade do Porto onde pediu ao rei terras para construir um porto para proteger os mares e expurgar todos corsários que tantos problemas causavam. O rei atendeu de prontidão aquele pedido pois os piratas já haviam causado atribulações o suficiente. Gardh então escolheu para seu porto um lugar estratégico na rota dos navios do norte. Os homens de sua frota o seguiram e o local serviu de parada para aqueles que vinham negociar honestamente no sul e de prisão para todos os que viviam de crimes naqueles mares.

Uma cidade próspera surgiu ali, e Gardh foi o primeiro regente. O lugar foi batizado de Porto Casto, pois as punições aos criminosos eram tão severas que dizia-se que um bandido que fosse libertado se tornava um homem santo. Com o passar do tempo, os piratas evitaram aqueles mares e vinham somente para negociar seus espólios em Farol CorsárioMas mesmo Porto Casto não está livre da corrupção. Estabelecimentos como a Senhora Pureza prosperaram graças aos guardas que fazem "vistas grossas" quando vêem o ouro ser derramado em suas mãos. Dizem que a cidade ainda possui uma das sedes mais influentes de todo sul das Adagas das Sombras, uma organização criminosa famosa em toda Ferius.

Porto Casto sempre manteve a ordem nos mares da Baia Naufrágio, em terra ou em mar não há crime que fique sem punição e sua famosa, e úmida prisão, guarda os homens mais temidos de todo sul. Mas, apesar de todo seu poderio, nunca conseguiram evitar que as ilhas ali próximas virassem terras sem lei.

Farol Corsário

Quando foi erguido o farol na maior das ilhas da Baia Naufrágio, com o intuito de guiar os barcos que traziam suprimentos do norte, existia uma lenda entre piratas e aventureiros da região que falava de um famoso pirata que tinha perdido todos seus tesouros por ali, o que ganhou mais força quando os construtores acharam uma cabana com várias anotações que davam a intender que a lenda era verdade. Movidos pelo desejo de encontrar aquelas riquezas, muitos aventureiros começaram a explorar a ilha.

Morgon, um caçador de tesouros, ficou por três anos tentando encontrar aquelas riquezas lendárias, quando finalmente desistiu viu que tinha gastado muito e nada conquistado, teve então a ideia de criar na ilha uma estalagem próxima ao farol, para os aventureiros que ali chegavam após ouvir a lenda.

Com o tempo ao redor do estabelecimento de Morgon foram surgindo novas casas e então nasceu Farol Corsário, uma cidade repleta de caçadores de tesouros, ladrões, aventureiros, piratas e gente do tipo. O lugar praticamente não tinha leis, era repleto de bordéis que ganharam fama rapidamente em todo sul. Era um porto perfeito para piratas e também um esconderijo perfeito para qualquer pessoa que precisasse, já que seus moradores tinham o hábito de não ver nem escutar nada. Uma das tavernas mais famosas do local é a Meretriz Perneta, conhecida pelo seu bardo peculiar e por suas bebidas. A cidade não possui um governante, nas ruas vale a lei do mais forte. É comum encontrar espadachins pelas vielas duelando pelo coração de uma prostituta ou simplesmente pelo gosto pela glória da vitória. 

A cidade, apesar de ficar localizada no sul de Ferius, não faz parte dos Reinos do Sul. Seu povo se considera livre das regras de Cidade do Porto e vive em conflito com Porto Casto, as duas cidades são considerados antípodas.

Devido a sua população peculiar Farol Corsário ganhou fama rapidamente e embarcações de todo o mundo sempre negociam por ali, principalmente mercadorias de origem duvidosa. A cidade pouco se importa com os problemas dos Reinos do Sul, a únicas leis que existem são a espada e o ouro. Desde que se saiba com quem conversar em Farol Corsário pode ser obtido qualquer tipo de informação, a verdade destas muitas vezes são questionáveis. Como diz um velho ditado popular "não há lendas ou segredos que os homens do Farol desconheçam."

Vila Forte

No princípio vários fortes foram espalhados ao longo dos limites da Floresta da Sombras para garantir que os inimigos que na floresta residiam não avançassem contra os reinos. Vários soldados faziam a guarnição dos fortes e de tempos em tempos trocavam-se os homens que cumpriam a vigília.

Com o passar do tempo a floresta passou a representar menos perigo e os homens ficaram relapsos em seus postos, muitos fortes foram abandonados, mas um homem não abandonou seu posto, seu nome era Dorbak, aos poucos os homens que com ele vigiavam de seu forte também foram abandonando o posto, mas ele resistiu e ali ficou.

Numa noite sem lua Dorbak se questionava se valia a pena continuar vigiando árvores imóveis, a saudade do lar o tomou e ele decidiu abandonar seu posto, era o último homem que protegia os limites da floresta. Quando terminou de juntar seus poucos pertences, Dorbak subiu uma última vez na torre do forte e para sua surpresa sombras se moviam na floresta e elas vinham na direção do forte. Dorbak em desespero pediu perdão ao Guerreiro por ter fraquejado na sua vigília e mesmo só se entregou a batalha. Não pareciam muitos inimigos e o defensor conseguiu os deter mas não sem sofrer alguns ferimentos. Um mercenário que passava na estrada ali perto ouviu os sons de batalha e foi investigar, encontrou Dorbak encostado em uma árvore na beira da floresta. Dorbak lhe pediu que fosse em velocidade até Porto Casto e implorasse por ajuda, os fortes deveriam ser novamente guarnecidos. Mesmo sabendo que o mercenário poderia o trair Dorbak lhe entregou seu cavalo e o homem partiu.

Mas a sorte não estava com Dorbak naquela noite, os inimigos que ele derrotou eram somente os primeiros, novamente em desespero Dorbak pediu perdão por ter vacilado e implorou ao Guerreiro que o ajudasse naquela batalha até outros homens chegarem. Uma espada nunca seria o suficiente, Dorbak sabia mas não vacilou novamente, empunhou sua arma e adentrou a floresta num último ataque furioso.

Na manhã seguinte chegou a ajuda, o mercenário enfim tinha honrado a palavra, homens entraram na floresta e o que viram foi o que sobrou da batalha de Dorbak, muitas criaturas bestiais jaziam mortas e no meio de todas desacordado e muito ferido encontrava-se o último homem que defendia os fortes. Seus ferimentos foram tratados e ele passou muitos dias dormindo, quando acordou e foi perguntado como conseguiu aquele feito ele disse, "o Guerreiro veio em meu socorro, ele perdoou seu servo". Os homens que o socorreram acreditaram que a batalha o havia enlouquecido.

Quando os feitos de Dorbak chegaram na Cidade do Porto o rei em pessoa cavalgou até o forte onde seu último vigilante ainda se encontrava. Dorbak pediu ao rei para expandir o forte e ali fundar uma vila pra que aqueles que o defendessem pudessem estar com seus familiares, o rei assim consentiu e a Dorbak foi dado a regência de então batizada Vila Forte. No início somente Dorbak e o mercenário que o ajudou ali ficaram, mas quando a história do último vigia se espalhou pelo reino muitos vieram para também se tornar vigilantes.

Vila Forte cresceu, os outros fortes recebiam guarnições que saiam do Forte de Dorbak, ali então nasceu a ordem dos mais obstinados guerreiros de todos os reinos, Os Vigilantes. Os anos se passaram e a cidade sempre continuava a receber novos homens que ouviam as canções que falavam de um deus que lutou ao lado de seu mais fiel servo, e as canções chegaram também aos ouvidos de alguns elfos desiludidos com os deuses, sentindo que Erundhir havia falhado com eles por permitir a queda de Anärion, e estes decidiram então proteger os reinos que os acolheu e honrar um deus que respondeu a uma prece.

Notícias de guerra chegaram até o Forte, mas nenhum dos homens, ou elfos, do local se moveu. Sua missão é defender o reino dos perigos que habitam na Floresta das Sombras e ali eles permaneceram. E não sem trabalho, as guerras aumentaram também as atividades na floresta e as batalhas pela defesa do sul ficaram cada vez mais intensas. O últimos ataques tem sido devastadores e mensageiros foram enviados a Cidade do Porto para pedirem auxílio. A coragem e devoção dos Vigilantes está sendo posta a prova.

Lança do Mar

Foi a primeira cidade dos Reinos do Sul, recebeu esse nome por ficar num pedaço de terra que avança no mar em forma de uma lança. Por algum tempo serviu como sede do reinado, Thalimor, o primeiro rei, quando mudou a sede do reinado para Cidade do Porto, deixou a regência nas mãos do seu irmão capitão Tolvask, um homem do mar e amante das batalhas, sendo assim desde o princípio a cidade se orgulhava de seus guerreiros, ditos os melhores de todos os reinos.

A Lança possui a maior frota naval de guerra do Sul e por muitas vezes quando haviam ameaças de guerra foram os guerreiros desse local que garantiram a soberania dos humanos no sul e protegeram o território. A Companhia de Guerra é como ficou batizada o local onde se treinam os guerreiros de Lança do Mar, além dela existem outras associações menores de mercenários que vendem suas espadas aos senhores do sul. Não somente a grande força militar é destaque nessa cidade. Mesmo estando fora das mais importantes rotas terrestres, existe uma grande força comercial nessa cidade o que pode ser comprovado pela fama do Grande Mercado da cidade que possui estabelecimentos famosos como o Caldeirão do Alquimista e a Casa do Lanceiro.

Por muito tempo as relações entre a Lança e as outras cidades do sul foram sólidas e sempre que alguma delas estava em perigo homens marchavam em auxílio. Mas estas relações começaram a estremecer quando um homem da família Brewstone assumiu o posto de rei do sul. Até hoje os regentes da lança descendem diretamente de Tolvask e o consequentemente possuem na árvore genealógica o primeiro rei do sul. Mas os Brewstone somente assumiram o reino pelo fato do último descendente de Thalimor não ter deixado herdeiros e ter adotado o jovem Benigno Brewstone que futuramente iria assumir o posto de rei. Tolvask IX achou a atitude uma afronta aos homens que tantas vezes defenderam o reino, mas esteve presente na coroação de Benigno, quando todos os regentes deveriam prestar juramentos ao novo rei ele deixou o lugar sem dizer uma palavra e retornou a Lança no mesmo momento.

O fato foi ignorado pelo rei e tempos depois as guerras começaram no sul, primeiramente com a queda de Porto Verde e de Telrúnia, quando foram enviados mensageiros até a Lança exigindo que os exércitos marchassem estes foram enviados de volta com a notícia de que os exércitos estavam prontos. Mas ninguém marchou e quando o rei voltou suas atenções para a guerra a Lança deu seu primeiro golpe, Tolvask IX ordenou que alguns homens atacassem algumas vilas e as dominassem com o menor número possível de vítimas. Lança do Mar declarava guerra contra o sul.  O rei volta as atenções para Vila Forte e até o momento houveram poucas batalhas, todas vencidas pelos homens da Lança que avançam pouco a pouco conquistando território com facilidade sem se importar com o que ocorre nos arredores da Floresta das Sombras.

Cidade do Porto

Construída em uma porção triangular de terra na foz do Braço D'Água, Cidade do porto foi projetada para ser a capital dos Reinos do Sul; Não foi necessário muito tempo até que a cidade começasse a crescer, após a família real estar ali instalada a cidade recebia novos moradores diariamente. A atividade mercante foi uma das que mais prosperou trazendo riquezas e belezas para o local. Hoje além de ser uma das mais antigas cidades do Sul, também é considerada a maior de todas elas e é conhecida por todos locais de Ferius.

A cidade é organizada e dividida por setores. A Fortaleza Real e o bairro nobre ficam na parte alta da cidade, um muro cerca esta área e é bem guarnecido, somente os nobres moradores do local e convidados da corte tem acesso. Há um grande bairro comercial famoso por todo o reino pela imensa variedade de coisas que ali podem ser encontradas. Nos subúrbios da cidade estão abrigados os mais variados tipos de pessoas, um bairro pobre porém muito animado e com algumas tabernas dignas de canções. Ao longo do porto fica um bairro com muitas estalagens que sempre estão apinhadas de marinheiros e viajantes, há também residências de alguns mercantes menores. Apesar da maioria da população ser de humanos a cidade também é abrigo para outros povos, existem elfos que se refugiaram ali depois da queda de Anärion, gnomos que vieram de Aluan e resolveram fixar morada na cidade, orcs que trabalham no porto e outras atividades mercantes e anões que estão interessados no comércio de metais do sul.

Algumas lendas cercam a cidade, como por exemplo a antiga rede de esgotos que segundos alguns é abrigo de diversos seres monstruosos. Há também uma lenda a respeito da casa de um antigo feiticeiro que abriga inúmeras riquezas que foram acumuladas durante os anos de aventura do proprietário. O fato é que quase nenhum dos destemidos que investigam tais lugares retornam para contar as histórias. A sede da Marinha Mercante do Sul, responsável por todas as atividades mercantes dos reinos e pela coleta de impostos sobre as atividades comerciais, fica localizada na cidade também, o cargo de comandante dessa frota é respeitado e muito cobiçado por vários dos poderosos mercadores que moram na parte nobre de Cidade do Porto. 

Atualmente o rei é Benigno Brewstone. Ele é amado pelo povo e respeitado pela maioria dos regentes das outras cidades dos Reinos do Sul, mas vem passando por inúmeros problemas no seu comando. Seu terceiro filho Symeon é acusado de assassinar um importante nobre de Dhunas, uma de suas filhas desapareceu de casa, mas esses atritos familiares são seus menores problemas. Duas cidades do Sul caíram recentemente após uma investida dos orcs que tomaram Anärion, Telrúnia e Porto Verde. Um pequeno exército de elfos e homens marchou para retomar Telrúnia e obteve sucesso com uma ajuda de última hora de Porto Vermelho. No mesmo momento o rei assinava um tratado de paz com os orcs e recuperava Porto Verde, mas foi nesse momento que Lança do Mar iniciou a rebelião separatista. Enquanto o rei e os senhores dos outros povos do sul estavam reunidos no Grande Templo discutindo sobre o reino, Vila Forte sofreu um dos maiores ataques já relatados. Uma guerra civil se desenrola manchando de sangue os campos do sul e junto a isso ataques de inimigos que a muito tempo estavam adormecidos se tornam mais frequentes.

Apesar de todas as batalhas que ocorrem no sul Cidade do Porto ainda não sofreu com as guerras, as atividades mercantes ainda ocorrem. Mas o clima é tenso e a qualquer momento a cidade pode virar palco de destruição.