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A ilha Anärion

Quando os homens criaram os Reinos do Sul as ilhas ao oeste do novo reinado eram habitadas, havia Líniven com um povo peculiar e Aluan, uma pequena ilha povoada por gnomos. As outras ilhas depois abrigariam Farol Corsário. Mas as ilhas ao leste eram pouco conhecidas e não foram exploradas. A maior delas ficava perto de Porto Verde e viria a ser chamada de Anärion.

Apesar de acreditar-se na época que a ilha era desabitada, havia orcs nessas ilhas. Eles chegaram antes mesmo dos homens dominarem o sul e vieram fugindo das guerras em Khanis. Os orcs já conheciam bem o território mas mantinham-se em sigilo nas ilhas por terem medo que os outros povos pudessem iniciar outra guerra ali. Mas mesmo passando desapercebidos para os humanos não puderam se esconder de uma expedição de elfos que partiram de Lehfluin com o intuito de conquistar um novo território e fundar um novo reino. Erindil Anärion comandava essa expedição e quando avistou a ilha soube que ali deveria ser o seu reino, um reino majestoso que contemplaria todo o orgulho do povo élfico. Mas antes ele teve que batalhar com os orcs que já estavam ali e assim foi feito, em pouco tempo a ilha era dos elfos e os orcs sobreviventes fugiram em barcos rústicos pelo mar.

Erindil batizou o nome reino como Fluoren Anärion e logo tratou de estabelecer laços com os humanos do Sul e abrir rotas comerciais. Por séculos o novo reino dos elfos prosperou e sempre o rei deixava ao seu herdeiro as terras que um dia Erindil dominou. Mas assim como o reino iniciou em guerra acabou da mesma maneira. A batalha que decretou o fim de Anärion foi breve. Os orcs que foram expulsos da ilha se abrigaram numa ilha próxima e alimentaram o ódio por anos passando sempre aos seus descendentes e quando o último rei dos elfos de Anärion exilou uma família de seu povo que visitou esta ilha os elfos exilados incitaram os orcs para a guerra. Num fim de tarde centenas de barcos dos orcs aportaram em Anärion e antes que a noite terminasse a ilha já havia sido dominada. Poucos foram os elfos que sobreviveram e estes foram acolhidos pelos homens dos Reinos do Sul.

Pensou-se que os orcs cessariam os ataques, mas as antigas marcas ainda não haviam cicatrizados e muitos orcs ainda não estavam saciados. Por anos eles ainda atormentaram os elfos que se refugiaram no sul. Até que um dia o ataque dos orcs foi mais além. Eles tomaram Porto Verde e partiram para o ataque contra Telrúnia onde os elfos agora moravam. Mas muitos orcs não estavam interessados em guerra e permaneceram na ilha. Ghontar, um orc conhecido por ter feito parte de um famoso grupo chamado "As Cinco Lâminas", permaneceu em Anärion. Ele era respeitado por seu povo e assumiu o comando da ilha. Ordenou que todos permanecessem em seus postos e decidiu que aqueles que partiram para a batalha deveriam ser punidos. E assim ele o fez. Quando o rei do sul Benigno chegou em Porto Verde com seu exército para retomar a cidade Ghontar já havia o feito. Entregou a justiça dos homens os orcs que invadiram a cidade e selou um tratado de paz com os homens do sul onde um dos termos era reconhecer que Anärion agora pertencia aos orcs.

Alainn, a última rainha dos elfos de Anärion, também assinou esse tratado. Agora a ilha finalmente pertencia aos seus primeiros donos. Havia paz finalmente na ilha e Ghontar governava. Os orcs reconstruíram o reino e convivem em paz com os Reinos do Sul. Mas muitos dos elfos não gostaram da atitude de Alainn e prometem uma vingança. Belchior Anärion que era herdeiro do reino também jurou reconquistar o que era seu. Mas Ghontar agora garante que os orcs não serão novamente acossados de um lugar que lhes é de direito.

Ghariens - O reino dos Dragões

Ghariens é uma ilha que fica ao sul de Lehfluin. A ilha tem o formato de um dragão em pleno voo. Talvez esse fato seja uma mera coincidência, ou talvez alguém tenha desejado assim. Por muito tempo pouco se soube da ilha, apesar da proximidade com o continente e ficar localizado próxima a rotas de navios mercantes. No entanto alguns aventureiros agora tem a ilha como um de seus lugares favoritos, outros a temem e não sem razão. Ghariens é habitada por dragões.

Dragão, eis uma palavra que pode fazer um cidadão comum tremer. No entanto não são todos os habitantes de Ghariens que possuem a crueldade como seu maior dom. A ilha abriga diversas espécies destes seres e é governada pelos mais velho dos dragões. A sucessão de poder ocorre desta maneira desde tempos imemoráveis. Alguns dragões se organizam em sociedades e convivem bem na ilha, outros não encontram condições climáticas favoráveis e preferem migrar para algum lugar em Ferius que lhe seja mais adequado. Ainda assim sempre retornam a ilha em duas ocasiões, o conselho anual e  quando o mais velho dos dragões morre, neste caso há uma cerimônia de passagem de poder. O dragão ancião que está no poder atualmente é Aryon, um dragão negro temido por muitos. Suas leis são menos brandas do que de governantes anteriores e não é difícil encontrar vilas devastadas por algum dragão que recebeu ordens de Aryon para isso.

Corajosos aventureiros se arriscam a invadir Ghariens atrás dos tão famosos tesouros dos dragões vermelhos, mas são poucos os que retornam. Outras pessoas procuram os sábios dragões atrás de informações valiosas e conselhos. Muitos dragões se disfarçam como humanoides para conhecer melhor os outros povos de Ferius. Soube-se de um dragão de ouro que disfarçado de clérigo de Vaya deixou canções lendárias de seus feitos, seu nome no entanto nunca foi revelado. Há também dragões que disfarçados habitam por um tempo o Solar dos Eruditos e cooperam muito com sua sabedoria. Mas há também aqueles que só pretendem usar seus disfarces para causar intrigas, guerras ou simplesmente pregar peças nos povos.
Mesmo não sendo para muitos um reino propriamente dito, existe em Ghariens leis antigas que nenhum dos governantes ousa quebrar. Não há cidades, cada dragão vive em um território específico da ilha e alguns em sociedade. Na ilha não há caos e destruição ao contrário do que ocorre no continente quando um dragão revoltado com atitudes de povos de Ferius, ou precisando de um pouco de ação, decide atacar.

O Êxodo dos Bhorus

Em meio à "reconquista" da cidade de Telrúnia no sul do continente, algo estremecia ao leste, no mar Suhren.
Na ilha Kressen os pássaros começavam a voar em direção ao continente de Ferius, e os animais pareciam agitados. O povo Bhoru sabia que algo havia de errado. Em seus túneis abaixo do solo jamais tinham sido encontrados ou contatados por homens ou elfos, anões ou outra raça de Ferius. Até então.
Uma comitiva descia fundo nas escavações de mais um salão, e coletando cristais para seus machados - o subsolo de Kressen escondia feras e animais antigos que vez por outra conseguiam dizimar alguns deles, geralmente acossados para galerias profundas e de lá voltavam algumas vezes. Estes eram os inimigos dos Bhorus, além de feras das matas acima de suas cabeças, mas estas eles conheciam bem e pouco dano poderiam causar.
A queda de Kressen e do povo Bhoru
Foi numa destas escavações que ocorreu o inesperado. Bhunira escutou o estalo da pedra e nada podia fazer, a lava derretida e o fogo consumiam suas carnes e entrava pelos salões. Sem querer haviam despertado um mal antigo, ha muito adormecido. Em meio ao fogo um ser aparentemente humanoide reluzia em azul brilhante e dele jorrava a pedra em brasa que inundava o salão rapidamente. Lohrante correu e escalou a pedra seguindo para a cidade de Pedena, a primeira vindo do leste, e tudo corria normalmente quando ele alertou a todos, ordenando aos berros que fugissem. O fogo já lambia as entradas inferiores e as portas se avermelhavam com o calor abrasivo quando Lohrante corria no sentido oposto da multidão, para avisar as outras cidades do subsolo de Kressen, foi quando deu de cara com o a figura mais assustadora que já viu: Um dragão surgia das chamas, e um ogro gigantesco de lava vinha em sua direção com um golpe de sua mão, que sozinha era o dobro do tamanho do pobre Lohrante, o  arremessou destruindo seu corpo. A carne de Lohrante foi jogada contra a parede de rocha e logo o fogo consumia tudo, menos o ogro de lava que avançava  pelo fogo dos corredores.
Os Bhorus lutaram contra os Ogros e a lava dentro dos tuneis enquanto puderam, mas uma erupção do vulcão Das Urhn forçou que eles deixassem suas cidades, e partissem em direção ao continente, em migração. Metade da população morreu em luta ou pelo fogo que se alastrou por várias partes da ilha, secando o lago Humen.
Os que sobreviveram, incluindo seus lideres rumaram para Ferius e agora reconstroem seu reino nas montanhas que pertenciam ao Solar dos Eruditos, na Ponta de Pedra, sem conhecimento algum dos reinos de Ferius. A ilha foi tomada por um ser sem nome, que liberado pela erupção destruiu a ilha em fogo e nada se sabe desde então daquelas terras.



Por Carlos La Terza e Rodrigo Souza

Khanis - O reino da Guerra.

"Já faz muito tempo desde que houve paz nestas terras. Antes ocupávamos quase toda extensão dessas ilhas. Khorus e a região que a contém de fato nunca foi nossa, mas isso não foi o problema. Possuíamos laços comerciais com os anões que ali residiam e sempre houve paz entre nossos povos. Nossa região era rica, nas terras havia fartura de alimentos, minérios vinham de nossa montanha ao sul, e em Tulkas eram produzidas as melhores armas que já houveram. Os orcs nasciam e cresciam e jamais desejavam partir. Nossa terra natal era bela, próspera e tranquila. Então vieram os elfos.

A noite caia quando vários barcos atravessaram a pequena faixa de mar, todos vinham na direção da capital Arkash. a princípio não sabíamos do que se tratava, mas logo soubemos. Chegavam as centenas, orcs feridos, agonizantes, mulheres e crianças, todos manchados de sangue e uma expressão de terror no rosto. Latresh, uma de nossas mais importantes cidades fora atacada. 

Nosso senhor ordenou aos exércitos preparar uma ofensiva que deveria partir de Tulkas, tudo foi feito como ordenado, mas a batalha era dura, os elfos fortificaram Latresh e resistiam. Nossos orcs mantiveram um cerco, durou exatamente três semanas. Mais barcos chegaram, mas desta vez vinham do sul, eram poucos e traziam mães orcs com suas crianças. Os poucos orcs que vinham traziam a terrível notícia. Tulkas havia caído. As notícias do cerco dos orcs se espalharam pelo continente, os homens, a muito sedentos pela minério abundante e único de nossa montanha, vieram por mar na calada da noite e aportaram em locais escondidos, avançaram contra vilas deixando no caminho marcas de selvageria, chegaram até Tulkas e encontraram uma cidade guarnecida por orcs ou inexperientes demais para o combate ou velhos demais para isto. Foi nossa segunda derrota e agora as esperanças começavam a ruir. Nosso reino, nossa história, perdida pela ganância de outras raças. O senhor dos orcs mandou barcos que trouxeram de volta aqueles que faziam o cerco a Latresh. Também enviou cinco mensageiros até Khorus, solicitava a ajuda dos anões. Acreditava que a aliança entre os dois povos poderia ser sua salvação. Enganou-se.

Daqueles mensageiros somente um voltou. Estava fraco e abatido, suas roupas estavam rasgadas e trazia em sua mão um saco de couro ensanguentado. Entregou-o ao rei e então caiu. Dias depois morreu. Dentro do saco estavam as cabeças dos outros mensageiros. Só sobrara aos orcs sua ilha central, que consistia de pequenas vilas e a capital Arkash, do seu praticamente extinto reino. Muitos navios partiram levando vários orcs que haviam desistido da batalha. O destino daqueles que partiram foi sombrio, mas esta história não será narrada aqui. Aos que ficaram sobrou o desespero, eram poucos, estavam em grande maioria feridos e temiam por um ataque súbito dos três inimigos que os cercavam. Mas as notícias trouxeram uma brisa de esperança. Nenhum exército se movera.

Houve um breve período de paz e os orcs se curaram de suas feridas, estavam preparados novamente, mas não dariam o primeiro passo, esperavam os inimigos. Cada povo então enviou um mensageiro ao senhor dos orcs com ofertas de rendição. Os enviados elfos traziam consigo a arrogância. Alegavam superioridade racial e merecimento por todo o domínio, exigia que o senhor dos orcs se curvasse e que nada mais era de se esperar de uma raça tão medíocre. Os enviados dos homens ofertavam a chance de um trabalho honesto desde que aceitassem que eram eles os novos senhores das ilhas. Exigiam as espadas dos orcs ao seu lado na batalha contra os elfos e anões. Os anões enviaram uma pequena comitiva escoltada por uma centena de bem armados guerreiros. Estes últimos foram brutalmente assassinados assim que entraram em Arkash. Os enviados elfos e humanos foram presos, torturados e seus corpos quase sem vida foram amarrados na amurada da proa de dois navios, elfos em um, homens em outro. O mesmo foi feito com a comitiva dos anões, a diferença é que levavam o que sobrou dos mortos. Os três barcos então levaram aos povos as respostas dos orcs. Ali começou a primeira de intermináveis guerras.


Com o tempo passamos a chamar as ilhas de Khanis, o reino da guerra, e esquecemos o nome que um dia estas terras tiveram. Já não há beleza alguma, o nosso raro minério é toscamente utilizado para criar espadas para os homens, armas que ficam longe da magnificência que nossos antigos artificies eram capazes de produzir. As belas florestas que rodeavam Latresh tornaram-se campos de morte e destruição. Ao norte, os anões deixaram de lado a antiga amizade para aderir aos mesmos propósitos gananciosos dos invasores. Khorus se tornou uma cidade voltada somente para a guerra, os anões dali perderam toda sua nobreza com o passar dos tempos. Hoje não são mais do que bárbaros sanguinários, apesar de ainda haver aqueles que preferem fazer uso da diplomacia e mantém alguns traços dos antigos de sua raça que habitaram aquele lugar.

Os quatro povos se tornaram pobres e temerosos em relação ao amanhã, há muito elfos e homens do continente não enviam novos soldados para engrossar fileiras, mulheres e elfas foram enviadas de suas terras natais a Tulkas e Latresh, respectivamente, e assim, os exércitos são reforçados por aqueles que ali nascem em Khanis. Os que são do sexo masculino tem o destino traçado após o primeiro choro, a batalha. Já fazem séculos desde que essa guerra começou, salvo os breves períodos de trégua. não há paz. Nunca houve um povo vencedor e somente o povo orc sentiu o sabor amargo da derrota."

 Do livro "Crônicas de Sangue" - de Gudhak Jiks

Os Turins


O povo Turin é um povo peculiar em Ferius, são reconhecidos por serem neutros e um povo bom, que acolhe quaisquer pessoas e raças que queiram ali visitar, fixar moradia ou apenas viajantes curiosos com as lendas do local.
Os Turins são muito brancos, e tem uma estatura baixa para o normal dos povos de Ferius, chegando no máximo à altura de 1,60m e geralmente se tornando troncudos. São resistentes ao frio, e mantém um contato estreito com os elementos, parecendo que possuem uma magia particular, que eles chamam ali de Mirkha, ou apenas Essência no idioma dos homens.

 Os homens, pela caça e pesca e pelos desafios do mar são valentes mas não guerreiros, pois não possuem conflitos e mantém para que assim continue.
São exímios criadores de armas brancas, como bastões, facas e adagas, arcos e bestas, mas não costumam produzir espadas ou armas de maior alcance.

As mulheres Turins são belas e vivem no cuidado das vilas e na educação das crianças na cultura Turin, voltada para os mares e deuses animais de caça e pesca.

O povo Turin produz ao sul o melhor vinho de Ferius, e o mais caro também.

Aridah, ou o labirinto sem sol




“Esta é a história de Aridah, e não me orgulho do modo como saí de lá, ou da maneira como consegui tais informações, mas a história fala por si mesma:

Dragão de Aridah
Durante anos a região hoje quase totalmente árida foi uma imensa floresta verdejante, povoada por um antigo e sábio povo das matas. Feiticeiros por natureza e coletores em sua maioria, eram devotos de Deon, o Deus da feitiçaria e da Alquimia. Prosperaram e mantiveram seu território com diplomacia enquanto desenvolviam líquidos Sagrados do Flurinnë, que assim como ao sul fluía através de colinas e florestas por ali. Porém Kuhnne, um dos feiticeiros ao retornar de uma longa viagem trouxera consigo novos artifícios e alquimias, capazes de tornar os homens que defendiam as bordas da floresta mais fortes, ágeis e rápidos. Ele dizia ter encontrado um tipo de fórmula natural para tanto. Em alguns anos foi notório o desenvolvimento dos seus vigilantes e Kuhnne ganhou respeito entre os seus.

O inverno foi mais longo naquele ano, enquanto Kuhnne prosseguia com seus intentos. Mas o poder de controlar aquela pequena horda o tomara, e ele havia se mudado para a borda norte da floresta a fim de continuar os experimentos em paz, pois os Feiticeiros do Conselho invocariam em breve outro debate sobre suas atividades.

Quando seu povo voltou-se contra Kuhnne, este usou os próprios homens em um ritual em nome de Amaranthis. Isto gerou a fúria de Deon, num embate entre um exercito de seres horrendos e homens desfigurados por uma estranha força contra os feiticeiros do conselho, que marchavam rumo ao seu castelo construído numa árvore antiga, pelos próprios soldados.
Tendo Amaranthis ao seu lado, Kuhnne conseguiu mais poder para seu exército, e outros logo vieram das fronteiras, comandados por uma força sem nome, da qual nunca se soube como ele conseguira e de onde viera.
Kuhnne
No embate entre os deuses, Vaya decidiu por banir tal atrocidade daquelas terras e Deon abriu os céus com um raio em plena luz do dia, alterando o tempo e as leis naturais desde então naquele lugar, com isto tornando a magia de Kuhnne ineficiente ali. Isto o forçou a fugir, e dizem que tomou caminho rumou ao extremo sul, lançando-se ao mar e buscando novos horizontes nas ilhas.
Tomado de fúria Amaranthis fez um ultimo ataque através do exército queimando toda a floresta e tornando quase desértica com o tempo. Muitos dos povos que ali viviam fugiram para as montanhas geladas ao norte e os sobreviventes se espalharam pelos continentes".

“Aridah é hoje um lugar hostil, onde você nunca sabe quando é dia ou noite, seus sentidos se enganam naquele lugar e alguém sem força de vontade não conseguiria enfrentar uma viagem por aquelas terras sem enlouquecer...”

Os Conquistadores Derrotados

O barco se distanciava do porto de Lehfluin e ainda era possível ouvir o sacerdote elfo gritando que aquilo era um erro. Mas Erindil não iria dar ouvidos a uma antiga lenda qualquer.

Erindil Anärion era um nobre senhor dos elfos, descendia de uma antiga família. Muitas das riquezas que possuía vieram de inúmeras aventuras que fizera quando jovem. Conhecera todos os cantos acima das montanhas, que antes acreditava ser o fim das terras, mas as notícias recentes vindas das cidades dos homens falavam de um imenso reino recém conquistado pra lá das montanhas. A velha curiosidade que por tantos caminhos o levou fez com que quisesse conhecer novos lugares e ele queria conquistar o seu reino, um reino para os elfos, onde os primeiros fossem da sua família, então comprou uma pequena frota de navios e resolveu partir atrás de aventuras. 

A brisa soprava os cabelos de Erindil para longe quase tão distante quanto os pensamentos que o assolavam, apesar de querer ignorar o que o sacerdote gritava as palavras não saiam de sua cabeça. O sacerdote dizia que não haveria paz em qualquer lugar que os elfos conquistassem através de guerras, uma terra maculada com o sangue só poderia ser amaldiçoada e que desde os tempos imemoráveis os elfos habitavam as florestas onde nasceram e nenhum mal lhes ocorreu. Erindil teria diversas razões para desconfiar daquelas advertências mas, uma outra família de exploradores elfos havia a alguns anos tentado invadir as ilhas que eram domínios dos orcs e reclamarem o direito de conquista, a empreitada contra os orcs falhou, mais tarde anões e humanos entraram na guerra também tentando obter o domínio das ilhas e os orcs que antes viviam em paz naquelas terras agora tentam retomar o que tantos invasores querem para si. As ilhas agora são banhadas pelo caos e apesar de haver algumas tréguas sempre há o chamado às armas e as quatro raças partem para a guerra que nunca termina. Erindil temia que os alertas fossem verdade porém as aventuras lhe alimentavam e havia muito que ele não tinha uma boa refeição.

Se eram aventuras que Erindil queria ele as encontrou e bem antes do que imaginava. Dias após deixarem o último porto conhecido, onde pararam para abastecer os barcos, foram pegos de surpresa por uma violenta tempestade, a frota, que consistia de trinta embarcações, havia diminuído. Três navios se perderam na tempestade e um outro afundou, os elfos que estavam no navio que naufragado foram quase todos resgatados e um dos navios que se perdeu reapareceu depois de quatro dias. O capitão do navio perdido informou a Erindil que as três embarcações estavam juntas logo quando se separaram da grande frota mas depois ele se separou dos outros dois e sua tripulação conseguiu retomar a linha da costa podendo assim encontrar a frota. Dos outros dois ele não tinha notícias. Apesar das tribulações a viagem seguiu e novas dificuldades foram encontradas mas nada muito grave, os dias se passaram e Erindil sabia que estava por encontrar seu reino.

Era uma bela manhã, depois de tantos dias de chuva a luz do sol era muito bem vinda, Erindil estava na amurada do navio e as palavras que ouvia de seu imediato soavam como uma doce música. Ele era informado que dois barcos que foram enviados mais a frente retornaram com a notícia de uma enorme ilha com natureza ainda intocada. Erindil já ansiava conhecer aquelas terras que viriam a ser seu reino e horas mais tarde finalmente pode avistar a ilha. Os navios ancoraram e um pequeno grupo de elfos, liderados por Erindil, foi à terra para fazer a primeira exploração. Enquanto Erindil ficou somente nos arredores da praia onde pararam os outros elfos se dividiram em vários grupos e foram cada um para uma parte da ilha e a medida que iam retornando traziam novidades pouco agradáveis aos ouvidos de Erindil, a ilha era habitada por orcs e havia uma grande cidade deles ali, os navios que estavam com os orcs traziam bandeiras da grande ilha dos orcs no norte que agora era um lugar de guerra. De certo que aqueles que ali já estavam haviam escapado das guerras buscando outro lugar para viver. Erindil Anärion não iria desistir do seu reino e ordenou aos navios que levassem todos capazes de lutar para terra. Eles dominariam o lugar à força.

Ao ouvir o comando de Erindil um elfo que não havia esquecido das palavras do sacerdote que gritava quando os navios partiam resolveu organizar um pequeno grupo e ir parlamentar com os orcs mas, a discussão foi um fracasso e somente o elfo que organizou a incursão retornou vivo, Erindil enfurecido mandou prender aquele elfo sob a acusação de ofender o orgulho e superioridade dos elfos. Os elfos marcharam contra os orcs e com certa facilidade os derrotaram, os orcs fugiram para o mar e os elfos os seguiram. Os derrotados invadiram uma cidade dos homens nos reinos do sul chamada Porto Vermelho e a cidade que estava despreparada para um ataque sucumbiu, quando os elfos chegaram no continente uniram forças com os homens e foram a caçada dos orcs. Foi a primeira vez que elfos, do que viria a ser o reino de Anärion, e os homens do sul se encontraram numa batalha.

A ilha estava tomada Erindil conquistou seu reino e nascia assim o Reino de Anärion batizado em homenagem ao homem que o conquistou. Os elfos ali ergueram uma imensa cidade batizada com o mesmo nome do novo reino e Erindil foi coroado e por algum tempo conheceu a paz.

Numa tarde algo inimaginável aconteceu, um dos barcos que tinha se perdido na primeira tempestade que a frota pegou no mar reapareceu bem nas praias de Anärion. Poucos eram os elfos que tinham sobrevivido na embarcação e os aqueles que ainda viviam estavam muito debilitados e visivelmente perturbados. Depois que o barco se perdeu no mar ele foi parar numa ilha qualquer que estava repleta de orcs que fugiram das ilhas da guerra lá foram atacados e muitos morreram conseguiram escapar e mais ainda morreram no mar, quando não havia mais esperanças o vento os levou até ali. Erindil mandou tratar dos elfos que ali chegaram mas não havia muito o que fazer estavam fracos e acabaram morrendo todos. O último elfo antes de morrer disse a Erindil que eles erraram em guerrear e talvez somente o sacerdote que tanto alertará do erro que era aquela viagem estivesse certo. Erindil pensou naquelas palavras e por algum tempo remoeu a dura verdade. Por fim decidiu ir ter com o elfo que foi preso por tentar negociar com os orcs e libertá-lo mas qual foi sua surpresa ao abrir a cela e o encontrar morto e nas paredes da prisão escrito a sangue havia uma mensagem:
"Seus derrotados serão meu exército e a vingança será o alimento da minha força."
Erindil contemplou aquela cena com horror mandou limpar a cela mas as palavras nunca se apagaram de sua memória e pela primeira vez ele pensou que aquela empreitada havia sido um erro. Seu reinado seguiu e os elfos de Anärion prosperaram quando Erindil já estava com a idade avançada chamou seu primogênito em seus aposentos. Conversaram por horas e então Erindil confessou que talvez ele tenha despertado um mal terrível e que sombras o atormentaram desde o dia que colocou os pés naquela ilha. Deixou o reino nas mãos do filho e tomou um barco na manhã seguinte e nunca mais retornou.

O reino dos elfos no sul por muito tempo perdurou sempre passando de pai para filho. A família Anärion sempre manteve o comando. Certa vez quando Belfast Anärion o terceiro rei visitou os Reinos do Sul conheceu o grande templo e se sentiu maravilhado com o que viu. Acreditando que aquilo era uma dádiva de Erundhir e que os homens não eram dignos de tal. Decidiu que os direitos daquele lugar divino deveria ser dos elfos. Foi a segunda vez que homens do sul e elfos travaram a mesma guerra mas, desta vez em lados opostos. Foi um triste episódio na história dos dois povos que ficou conhecido como a Guerra dos Invasores.

Quando a guerra estava avançada e muitos já haviam morrido surgiu um mal muito maior que fez com que os dois exércitos se unissem. Histórias terríveis vinham de uma ilha. Uma sombra do mal se erguia e cobria os reinos de homens e elfos e então pela primeira vez Amaranthis o deus da vingança surgiu no mundo. Os homens do grande templo mandaram um exército de homens dos deuses para a batalha. A batalha parecia perdida e as esperanças já tinham acabado quando surgiram os campeões divinos, cavaleiros santos que marcharam contra Amaranthis e se sacrificaram para novamente selar sua alma corrompida. O maligno deus foi trancado em algum lugar desconhecido de uma ilha e foi proibida  qualquer visita de homens e elfos no local. A ilha era habitado por orcs que descendiam daqueles que outrora foram expulsos pelos elfos das suas ilhas no norte. Presságios de mau agouro foram proferidas mas o tempo tratou de fazer com que todos os esquecessem e pelo que se diz somente os grandes druidas detêm o conhecimentos daquelas profecias. Elfos e homens selaram a paz e não houve mais atritos entre os dois reinos. Em todos anos seguintes cem guerreiros elfos faziam uma vigília na floresta dos druidas antes de serem batizados nas armas como sinal da aliança entre as duas raças.

O tempo passou e certa vez um grupo de exploradores elfos de Anärion achou escritos antigos que falavam de um deus que foi trancado. Sem o conhecimento dos senhores do reino aquele grupo navegou até a ilha que era citada nas escrituras e quando de lá retornaram estavam mudados. O mal viera com eles e pelo crime de navegar até a Ilha Proibida foram condenados. Colocaram os prisioneiros num navio sem velas e os soltaram no mar para morrerem. O rei de então era Felgh Anärion e ele seria o último rei dos elfos do sul.

Quando os elfos acreditavam que finalmente seu reino vivia uma época de paz e esperavam que fosse durar o pior aconteceu, na calada da noite o sangue escorria por todas as cidades dos elfos no reino de Anärion. Orcs invadiam o reino, elfos jaziam mortos por todos os cantos e não havia outra saída a não ser a fuga. Inúmeras embarcações de elfos rumaram para o continente esperando o auxílio dos homens. Porto Vermelho veio em auxílio e conseguiu garantir que os elfos sobreviventes chegassem até as terras dos homens. Felgh, o último rei de Anärion, estava morto. Sua esposa e seu filho, que ainda era um bebê, haviam sobrevivido. Os elfos que chegavam até o reino dos homens traziam no rosto uma expressão de incredibilidade e ainda haviam alguns que afirmavam que os que lideravam os orcs eram três elfos e alguns que juravam que aqueles elfos foram os que uma vez foram expulsos de Anärion numa embarcação sem velas. Mas o mais assustador era a lembrança dos gritos dos orcs, "Baurúk" que na língua deles significava "Senhor dos Derrotados" ou "O deus da Vingança".

Os elfos foram acolhidos pelos homens e a eles foi atribuído os domínios da floresta, ali ergueram a sua nova cidade, não tão magnífica como Anärion, que foi batizada Telrúnya. Os homens a chamavam Cidade da Floresta. Ali passariam a viver os últimos elfos do sul e entre eles estava o herdeiro de um reino que já não existia mais.

COMO SURGEM OS REIS

"Não existem reinos que se ergam em terras puras, há sempre o batismo de sangue antes dos pilares de um reino serem fixados."
(Joshu - Grande Druida)

No início homens eram poucos nas terras que hoje são conhecidas como Reinos do Sul, viviam espalhados em pequenas aldeias em comunhão com a natureza. Mas eles não estavam isentos de perigos, haviam seres que vagavam naquelas terras também, criaturas que se alimentavam do desespero e da morte.

Os homens de então precisavam aprender a se defender, sem conhecimentos de forjas eles aprenderam a dominar suas capacidades físicas tornando-se excelentes lutadores e utilizando como armas os punhos, pedras e bastões, suas habilidades os protegiam quando suas aldeias eram atacadas e conseguiram sobreviver e se desenvolver mesmo naquele ambiente hostil.

Foi quando homens vieram do norte. Das montanhas surgiram, trajavam roupas estranhas, tinham casas que rolavam e eram puxadas por cavalos. A princípio eram poucos e viajaram pelas terras por eles desconhecidas aprendendo sobre aquele povo rústico que ali habitavam, a comunicação foi uma barreira que o tempo tratou de destruir, o povo do sul acolheu os homens do norte e dividiram os conhecimentos de suas terras e os segredos das florestas e seus perigos. Então um dia os homens partiram e por muito as pessoas daquele lugar não ouviram mais falar de estrangeiros.

Quando os homens do norte voltaram já não estavam trajados da mesma maneira, vinham vestidos em ferro e aço e carregavam pontas ameaçadoras nas mãos, não havia mais sorrisos e nem amizade e o povo do sul apesar de excelentes lutadores descobriu que punhos, pedras e bastões pouco significavam contra as pontas frias que os faziam sangrar. Desorientados eles fugiam e se escondiam mas os homens do norte os perseguiam, foram então buscar refúgio nas montanhas próximas ao mar. Ali se esconderam.

Os homens do norte haviam conquistado então aquelas terras. Começaram a erguer então a primeira cidade conhecida nos Reinos do Sul, Lança do Mar, que recebeu esse nome por ficar localizada numa ponta de terra que avançava para o mar na forma de uma lança, a cidade ficava ao sopé das montanhas onde o antigo povo do sul se refugiou. Ainda inebriados com a conquista de novas terras os homens descobriram que os derrotados não eram os únicos habitantes que aquele lugar possuía e então as terras foram novamente lavadas pelo sangue. As criaturas malignas chegaram com o cair da noite e ao nascer do dia poucos homens restavam em sua nova cidade. Desesperados e assustados com o terror que viveram tomaram aquela visita sombria como uma vingança dos deuses pela atrocidade que cometeram com o povo que ali habitava. Foi então que Thalimor Druhmersfalt, um dos homens que havia visitado o sul antes do ataque, organizou os homens que restavam e foi até as montanhas procurar pelo povo que eles haviam derrotado. Seus homens foram atacados e mais foram abatidos no caminho, vagaram por dias até que já sem forças encontraram finalmente os primeiros homens do sul. Estavam cercados e quando iam ser atacados Thalimor num ato desesperado pediu clemência na língua dos nativos. Dentre os nativos uma voz soou altiva e poderosa, e um velho surgiu entre eles e foi até a direção de Thalimor, os dois conversaram cercados por seus homens, Thalimor pediu perdão, sabia que jamais poderia reparar o mal que havia cometido, deu sua espada na mão do velho e implorou que poupassem seus homens e em troca ele daria a vida. O velho o observou, entregou a ele a espada e lhe disse que não se deve pagar a vida com a morte e que aquelas terras já haviam bebido sangue demais. Os primeiros homens e os homens do norte ali fizeram uma aliança, e todos rumaram para o que havia sobrado das primeiras edificações da cidade que haviam construído, enterraram os corpos e compartilharam conhecimentos de luta, Thalimor então confessou ao velho que mais homens do norte viriam, só que dessa vez pelo mar. E vieram.

Era uma vista estranha para os primeiros homens do sul, aqueles navios os assustavam e eles temiam que fossem bestas que os afogariam no vasto mar, mas Thalimor os acalmou. Quando os navios chegaram trazendo com eles muitos homens capazes de lutar os homens organizados saíram a caça das criaturas do mal. A terra voltou a sangrar, mas dessa vez homens novos e antigos lutavam lado a lado com punhos e aço e apesar de muitos terem perecido na batalha eles avançavam, as criaturas atacavam na noite e os homens as expulsavam, mais barcos chegaram e a batalha se tornou favorável aos homens, Thalimor comandava sempre regido pelos conselhos do sábio velho que poupara-lhe a vida. Ao passo que as terras eram limpas cidades e vilas eram construídas, as antigas aldeias dos primeiros homens eram reabitadas, parecia que nada poderia conter o avanço dos homens mas, foi então que conheceram a Floresta das Sombras, todos os outros lugares do sul eram dos homens mas a floresta era habitada por criaturas mais terríveis que as anteriores, por mais que organizassem ataques, poucos eram os que retornavam vivos. O velho preveniu Thalimor que o mal que ali se encontrava estava além da capacidade deles. Thalimor não ignorou o conselho, mandou parar os ataques e construiu vários fortes ao longo dos limites da floresta, deixou nestes fortes homens que deveriam vigiar e não deixar que o reino fosse invadido pelo inimigo. E assim a primeira batalha estava terminada, o sul era um lugar dos homens.

Thalimor voltou a Lança do Mar e lá o povo o aclamou pela conquista, foi erguido um castelo onde Thalimor foi coroado como Rei da Lança. Os primeiros homens retornaram as suas aldeias, que ficavam na grande floresta no centro das terras sulistas, outros retornaram para as montanhas que foi seu refúgio, onde quer que os primeiros homens habitassem sempre havia um monastério onde as técnicas de luta eram ensinadas mas, com o tempo estas técnicas foram esquecidas e homens que antes lutavam com os punhos agora empunhavam espadas, abandonaram a floresta e migraram para as cidades, os monastérios foram abandonados restando somente um nas montanhas onde a cultura antiga não foi esquecida. Cidades começaram a surgir algumas se destacaram mais que as outras, Porto Casto, Porto Vermelho e Porto Verde foram cidades que cresceram muito e como as terras eram vastas cada uma destas cidades possuía um regente, numa pequena ilha triangular onde o Braço d'Água, um dos maiores rios do sul desaguava foi instalado um porto para receber as embarcações que vinham de todos os cantos do mundo, o lugar prosperou e ali surgiu uma grande cidade batizada de Cidade do Porto, Thalimor visitou a cidade e ficou encantado com o desenvolvimento que ali encontrou, decidiu mudar sua morada pra lá, passou a regência da Lança para um de seus comandantes, e assim mudou a sede de seu reinado.

O velho sábio pediu ao novo rei que a pequena floresta próxima a Cidade do Porto fosse deixada a seus cuidados, por tudo o que aquele sábio homem havia feito Thalimor não exitou em atribuir ao homem a floresta, ali o velho sábio viveu o fim dos seus dias, alguns o seguiram e lá viveram com ele e quando o homem morreu uma grande árvore se ergueu no local onde ele foi enterrado, os homens então passaram a venerar o lugar e ali surgiram os primeiros druidas, os servos da natureza. A cada cidade, e seu regente, era atribuído um domínio e a lei da época determinou que cabia ao regente o dever de proteger suas terras e todos regentes deviam respeito ao rei e assim é até os dias atuais. Thalimor teve um longo e tranquilo reinado, seu nome até hoje é lembrado nas canções como o homem que conquistou os Reinos do Sul.
Reinos do Sul