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Brecha (Parte1)

"Isso já faz muito tempo, foi quando era jovem aprendiz. Acordei num campo infinito, sem saber onde estava e nem porquê. O céu parecia pintado, azul firme e intenso com um sol poente quase. Olhei pra longe e esfreguei os olhos. A sensação de leveza. Comecei a caminhar pelas colinas que nunca acabavam, e na terceira parei. Ao longe um rochedo cinzento condensava as nuvens em seu topo gelado, e nada se podia ver em qualquer dos horizontes alem de colinas. À frente muitas milhas estava aquele rochedo, único desafiando as alturas entre tantas colinas. Poderia estar no norte. Talvez próxima de Cristalya ou em Turinnia. O sol poente parecia imóvel e o frio e o vento eram constantes. Decidi seguir até aquele rochedo e procurar algum vilarejo, ou informação de onde estava,  antes que anoitecesse precisava acampar, e encontrar comida. Desci até um vale repleto de vegetação e árvores retorcidas e montei minha tenda na clareira. Olhei o mapa e nada parecido havia dentro dos limites conhecidos por nós elfos. Percebi que não sentia fome ali. E o sol não se pôs(...)"

--Yulari, elfa anciã

A curandeira do gelo

"Em Turinnia existe, na parte mais gelada e infértil, uma pequena cabana. Ela fica situada ao pé de uma montanha que só se vê atravessando muitos dias de gelo vindo do sul. Ali, ao redor da casa, crescem pequenas ervas e vive uma senhora. Vez por outra grupos de aventureiros fazem jornadas até lá com o intento de salvar uma vida, ou procurando ervas mágicas.
A senhorinha cuida para que todos saiam de lá com respostas, e ninguém deixa de lhe ofertar boa comida e vinhos, aos quais ela aprecia e agradece com um sorriso simpático."

Diário de viagem - Tarannur Sannam

O incidente na Ilha de Pedra

A pequena Ilha de Pedra fica ao norte de Khorus, recebeu esse nome pois ali somente montanhas de pedra dura se formaram, não há vegetação e se não fosse por uma fina linha litorânea o lugar seria nada mais do que uma montanha afundada no mar cujo cume está acima da superfície das águas. Um local tão inóspito raramente seria alvo de conquistadores, então permaneceu intocado por muitas eras.

Mas o destino da ilha estava para mudar quando uma expedição de anões vindos das montanhas do continente ao norte da Ilha de Pedra ancorou nas proximidades do local. Ali se admiraram com a peculiaridade do lugar e nas investigações que faziam no local encontraram uma reentrância que revelou uma espécie de túnel que prosseguia fundo, até o coração da montanha. Resolveram adentrar e quando já haviam se afastado muito pelo túnel descobriram que o subsolo da ilha escondia uma gema acinzentada e que emitia um fraco brilho que jamais fora vista por nenhum deles. Coletaram algumas amostras e partiram.

Retornaram para suas cidades sob as montanhas ao norte da ilha. Ali os melhores estudiosos anões fizeram testes com as gemas tentando descobrir suas propriedades, todos os testes não determinaram nada. Um artesão que participou da expedição, especializado na arte de fazer estátuas, decidiu lapidar uma das gemas e para sua surpresa havia somente uma fina camada cinza e por baixo revelou-se uma pedra de cor azulada que emitia uma luz intensa. Maravilhado com a pedra ele a implantou no peito de uma de suas obras, a admiração só aumentou quando descobriu que a gema deu vida a estátua. Revelou o ocorrido aos estudiosos e todos se sentiram animados com a descoberta. O senhor da cidade ordenou que fossem selecionados em seu povo os melhores artesãos e os melhores mineradores. Estes seriam levados até a ilha e ali deveriam construir uma cidade e iniciar uma fábrica de construtos que seriam animados com o poder das gemas. Assim foi feito e dez navios repletos de colonizadores partiram para a Ilha de Pedra. O artesão que descobriu sobre a gema também partiu, sobre a honra de ser o senhor da nova cidade.

Por algum tempo notícias chegavam constantemente na cidade, os mais nobres encomendavam construtos para servir-lhes e a nova empreitada daqueles anões estava em pleno crescimento. Mas era necessário um tempo até que tudo pudesse ser construído e enviado aos compradores. Foi decidido que a primeira remessa levaria um ano para ser enviada. Aqueles que já haviam negociado não se importaram com a demora, aguardavam com imensa expectativa por aquilo que pagaram. Ao longo do ano mensagens chegavam a cidade dos anões informando o progresso, informavam também sobre inúmeras riquezas que foram encontradas nas ilhas, a penúltima mensagem trouxe uma informação que alegrou a muitos, as estátuas estavam todas prontas, eram centenas, e receberiam as gemas mágicas em pouco tempo. A última mensagem trouxe a notícia que as gemas haviam sido colocadas e que tudo saíra como o planejado, os construtos estavam prontos para serem enviados, um barco deveria partir para a cidade na próxima semana. Depois desta nenhuma mensagem chegou. Certo dia um barco foi avistado chegando na cidade, vinha devagar, somente empurrado pelo vento. Os senhores ansiosos preenchiam o porto esculpido na montanha para receber os anões e os seus novos construtos. Mas o que viram chegar foi um barco manejado por menos de uma dúzia de anões, todos feridos, alguns morreram antes mesmo de aportarem. Algo havia saído errado, os construtos quando viram ser a maioria se voltaram contra seus mestres, o que se passou a partir daí eles se negavam a falar, somente repetiam insistentemente "todos mortos".

Desde então a Ilha de Pedra caiu no esquecimento. Mas sempre alguém passa a história deste incidente adiante, dizem que até hoje os construtos ainda estão por lá, abrigando a cidade no coração da montanha que os anões deixaram para trás e protegendo inconscientemente os inúmeros tesouros que foram abandonados quando os seres de pedra se viraram contra seus criadores.

A Floresta azul




"Nas pradarias onde vivem os Thalions, ao leste de Villa Forte, existe um vale que não deve ser visitado.

Segundo dizem, as plantas de lá são diferentes, e quem foi voltou louco, abandonando tudo e todos e rumando pelo continente sem destino. Não se sabe o que há neste lugar, apenas que suas árvores são azuis, assim são suas folhas e troncos, como também são azuis as flores e frutos. A visão que se tem de longe é encantadora, mas intrigante. Um feiticeiro disse ter ido e voltado de lá, entre goles certa vez. Não acredito."

Whedhill - na Velha Folha

O Salão dos Tempos

"Já houve um tempo em que o culto ao Homem sem Face era respeitado. Haviam templos magníficos por todo o mundo, mas um deles possuía certo prestígio. Havia este sido um presente do deus aos seus devotos. Era conhecido como o Salão dos Tempos.

O templo foi erguido na região de Aridah antes da imensa batalha dos deuses que destruiu o local. Quando a região sucumbiu após o embate divino o templo permaneceu intocado e foi o único lugar de toda a região amaldiçoada que não sofreu os efeitos devastadores do combate. Ali permaneceu e sua existência ainda era conhecida por muitos, mas chegar até lá exigia uma incursão pelas terras malditas o que fez com que fosse evitado. Chegou o tempo em que o culto ao deus da Morte caiu no esquecimento e seus templos foram destruídos pelos devotos de outros deuses, aqueles que sabiam da existência do Salão dos Tempos eram poucos e já contavam com muitos anos de vida, quando foram chamados aos salões celestes do senhor da Morte, levaram consigo sua sabedoria e o templo de Aridah tornou-se uma lenda.

Em uma de minhas muitas aventuras eu encontrei um templo destruído, após uma breve investigação descobri que pertenceu ao culto do Homem sem Face. Muita coisa ali já havia sido saqueada, mas nenhum dos saqueadores se interessou pelo que eu considerei o maior tesouro. Encontrei naquele local destruído um livro, nele haviam relatos que provavam que a lenda era real.

Uma das passagens do livro continha informações sobre o Salão dos Tempos e seu interior. Não era exatamente um local de devoção e orações, mas sim um abrigo para a maior dádiva que um homem pode receber, o conhecimento. O templo era constituído de quatro salões, os três primeiros exigiam um teste, um valor deveria ser provado para que a porta que levaria ao próximo salão fosse aberta. A única informação a respeito dos testes que encontrei foi que eles mudam de acordo com a pessoa que os realizam. Aqueles que mostram serem dignos de merecimento podem então adentrar ao quarto e último salão, onde são agraciados com visões de coisas que já ocorreram e de coisas que ainda virão."

do livro "Lendas de Ferius" de Falingh Tulinne

O guardião da Mandíbula


"Uma lenda antiga, que jamais comprovei, conta que aquele que consegue chegar até o topo da Mandíbula é agraciado com uma visão futura. E quem o espera no alto é O Guardião.

Segundo relatos um homem alto para os padrões humanos e muito esguio, vestindo um longo manto acincentado e  barbas muito longas sempre viveu no topo da Mandíbula, e lá oferece preces, e cultua seus próprios deuses antigos. Poucas palavras temos dele, mas diz-se que muito antes dos povos rumarem para o sul e estabelecerem os reinos por lá, homens de poder subiram até ele, e tiveram a visão do que hoje seriam as cidades dos Portos e o mar do Sul. Em outra ocasião ele já foi visto descendo a montanha até um rio, e parecia caminhar tranquilamente entre as fendas e lâminas mortais de gelo.

Histórias contam que ele foi um dos responsáveis por banir Samarah, e que as cinco lâminas sempre precisam de seus conselhos. A realidade é que este homem é o único que conseguiu domar os lobos ferozes do gelo, e o único capaz de prever as avalanches naquelas montanhas

O desafio maior é chegar até o 'Último Canino' , pois as montanhas da Mandíbula colecionam ossadas e mistérios."              

Dos contos da noite gelada - Hunnuë Thelian

Samarah e os portais

"Diziam que as portas iriam se fechar um dia, mas nunca contaram que poderiam se abrir."                                                                                   
Já faz muito tempo, e os antigos não gostam de comentar sobre o assunto, mas houve um ano em que os homens foram desafiados a sobreviver nessas terras, meu filho. Conta-se que uma das mulheres do conselho, Samarah, decidiu deixar estas terras e sumiu por mais de cem anos. Quando voltou, continuava idêntica na aparência, mas seus olhos faiscavam. Trouxe com ele os portais do inferno, e após abertos, todas as aberrações que possam imaginar começaram a brotar de lá, e atacavam os homens e plantações.

Muitos morreram, meu filho, e alguns povos se estabeleceram no gelo após isso. Os elfos escuros, e os anões firmaram uma aliança nesta batalha, pois os seres já ganhavam força e avançavam sobre outras terras.Apenas assim pudemos derrotá-los. Apenas assim, juntos. Mas a Bruxa não foi derrotada, mesmo após roubarem todos os seus instrumentos de poder ela resistiu e fugiu pelas terras ermas.

Os sábios guardaram os objetos, e estes sumiram com o tempo. Um colar, especialmente, chama a atenção. Dizem que é ele quem abre os portais e atrais as bestas. Rumores da reabertura das portas já correram os continentes, mas nunca se confirmaram, por Balenna! Espero nunca mais ouvir falar delas.
Do diário de Sonn Yule - Ancião do Norte

Skugh - A cidade afundada

A região pantanosa que fica na porção continental mais estreita de Ferius já foi uma região importante do mundo. Uma grande cidade chamada Skugh ali foi fundada e era muito frequentada pelos viajantes que desejavam chegar ao norte ou de lá retornar pelas complicadas estradas do local, várias vilas menores surgiram pelos pântanos e também prosperavam graças a esta cidade. Mas Skugh cresceu demais e seus habitantes não puderam prever as consequências desse crescimento.

Os senhores do local julgaram que uma cidade imponente merecia uma edificação majestosa para abrigá-los e ordenaram aos construtores que erguessem um palácio magnífico que causaria admiração a todos que o vissem. Gharamur era o mestre construtor da cidade e alertou aos senhores que aquilo era absurdo e que o local não suportaria tal construção. Os senhores contrariados o dispensaram e ordenaram aos seus subordinados que dessem conta da obra, e assim foi feito.

Uma grande festa foi planejada para marcar a inauguração do palácio, todo o povo local foi chamado e tudo parecia bem até o momento em que todos se reuniram no pátio do palácio, neste momento o chão cedeu e o grande palácio começou a afundar, senhores importantes e pessoas comuns corriam desesperadas e em pouco tempo a cidade inteira foi tragada pelos pântanos, muitas pessoas desapareceram junto com a cidade e aqueles poucos que sobreviveram perderão tudo e se refugiaram nas vilas que haviam naquela região.

Com o passar do tempo viajantes preferiam utilizar dos barcos para cruzarem seus caminhos evitando o local, as estrada do pântano viraram rota alternativa para pessoas que não podiam pagar a passagem por mar. As vilas do local permaneceram mas com a extinção de Skugh tornaram-se lugares pobres e servem apenas de estadia curta aqueles que viajam por ali. O pântano se alterou e várias partes da cidade afundada ressurgiram, essas foram então habitadas por criaturas que servem como protetoras do local, mas isso não impede que alguns aventureiros ousados se arrisquem numa visita a cidade em busca dos inúmeros tesouros que afundaram no dia da inauguração do grande pálacio.

Ya-Dunis - A cidade da tempestade

Shuntos era um estudioso da cidade de Dhunas, que se encontra no centro do Grande Deserto. Por toda sua vida ele tentou encontrar provas concretas sobre a localidade de uma antiga cidade  chamada Ya-Dunis, onde habitaram grandes sábios e, cujas lendas diziam, havia sido tragada pelas areias. Anos de pesquisa não lhe trouxeram proveito algum, tudo o que encontrara foram relatos que comprovavam a existência da cidade, mas não havia um mapa sequer que indicasse sua localidade. Vários outros estudiosos o tratavam com indiferença ou faziam piadas sobre suas pesquisas até mesmo Shuntos começara a perceber a inutilidade de tudo aquilo. Volta e meia se pegava com o pensamento "de que adianta saber da existência de uma cidade que esconde inúmeros conhecimentos se a cidade insiste em se esconder de mim", e acabou por deixar esse assunto de lado.

O crepúsculo caía sobre Dhunas quando Shuntos recebeu uma visita inesperada de um viajante misterioso que queria negociar um pergaminho, segundo ele muito valioso. Quando Shuntos tomou o tal pergaminho em suas mãos ficou maravilhado com o que leu, pagou ao viajante um bom preço pelo pergaminho, muito menos do que realmente valia, e o dispensou. Passou a noite debruçado diante do pergaminho o estudando. Apesar de muito do conteúdo estar apagado ali ele encontrou anotações da localidade de Ya-Dunis, informações de estudos que eram conduzidos e uma parte que informava sobre uma experiência que seria conduzida que poderia mudar para sempre os conhecimentos científicos e mágicos. Mas o mais intrigante era a nota final, que fora escrita as pressas. Eis o que havia nesta nota:

"... e algo não saiu bem, talvez a tempestade de areia que atingiu a cidade seja a culpa, ou talvez nós provocamos a tempestade. Não sei informar, não sabemos onde estamos, os ventos pararam mas agora tudo está escuro, muitos morreram..."

Shuntos leu e releu aquela parte inúmeras vezes. Só então se lembrou que deveria ter perguntado onde o viajante achara aquilo, procurou por muitas estalagens até achar o tal homem, o relato que ouviu o deixou mais intrigado. O homem que lhe vendeu o pergaminho contou que estava viajando pelo deserto quando de súbito veio uma tempestade de areia no qual ele acreditou que seria seu fim, mas pouco tempo durou e quando os ventos pararam ele estava diante de uma cidade que parecia ser antiga, não havia ninguém na cidade e ele encontrou o tal pergaminho no chão de uma casa cheia de livros, pouco tempo depois a tempestade voltou e ele estava fora da cidade já, novamente a tempestade foi curta e quando ele olhou para trás a cidade havia desaparecido. Quando questionado sobre o que mais encontrou o homem somente falou de jóias e tesouros, coisas que não tinham valor para Shuntos, ele queria o conhecimento. Shuntos encontrou outras pessoas que relataram o mesmo tipo de experiência e sempre havia a tempestade de areia. Quando ele apresentou diante dos outros estudiosos suas descobertas foi tratado como louco, mesmo o pergaminho foi encarado com descrença. Shuntos decidiu que iria ele mesmo viajar pelos deserto e encontrar tal cidade, organizou uma expedição e partiu. Nunca mais ele foi visto.

Anos se passaram depois disso até que um aventureiro que passava por Dhunas procurou os estudiosos, disse que tinha em mãos um pergaminho que deveria ser de interesse deles. Um dos mais velhos tomou o pergaminho na mão e o reconheceu, era o mesmo que uma vez Shuntos apresentara a todos, o aventureiro disse que o havia encontrado numa cidade vazia após uma tempestade de areia que pouco durou. Apesar dos escritos estarem muitos apagados uma pequena nota no fim do pergaminho era bem visível, estava escrito "eu encontrei".

A casa do louco

Conta-se que viveu em Cidade do Porto um jovem e promissor feiticeiro. Ele tinha prestígio pela cidade e fez parte do conselho real por um tempo. Cansado da rotina da corte e querendo testar seu aprendizado o rapaz pediu dispensa do conselho real e partiu para aventurar-se pelo mundo. Algumas vezes ouviam-se canções sobre seus feitos mas foram ficando raras e por anos não houve notícias dele.

Quando já davam o feiticeiro por morto ele finalmente retornou. Havia envelhecido muito e também enriquecido demais. Comprou uma mansão no bairro nobre de Cidade do Porto que era afastada das demais casas. Certo dia um homem foi até a mansão a procura do feiticeiro e se espantou pois não havia ninguém na casa. Como não sabiam o que ocorreu decidiram trancar a casa a espera que um dia o dono voltasse para reivindicar sua posses. No entanto isso nunca ocorreu, muitos souberam que a casa estava abandonada e decidiram invadir a procura de relíquias das aventuras do antigo proprietário porém nem todos que ali entraram saíram e aqueles que voltaram de lá nunca diziam nada do que viram. Com o passar do tempo poucos se aventuraram perto da casa do feiticeiro, que muitos julgavam ter ficado louco e encantado a mansão de forma a aprisionar os ladinos que ali adentravam.

Anos se passaram e a mansão ainda continua lá. Seu jardim está completamente abandonado e trepadeiras tomaram todas as pareces da casa. Ainda que ninguém acredite que alguém possa morar lá pessoas relatam luzes misteriosas nas janelas da mansão, fatos que coincidem, em geral, com o desaparecimento de alguns ladrões da cidade ou o enriquecimento repentino de alguma pessoa.

Adagas das Sombras

"Não há muros intransponíveis nem trancas suficientemente seguras quando uma das 'Adagas' está a serviço"
Moth, o caolho - Taverneiro do Porão do Rato em Porto Casto

Muitos aventureiros por todas Ferius se autodenominam ladrões e vendem seus serviços para quem quer que queira. Os guardas das cidades estão sempre de olho nestes gatunos e estes sempre acabam trancafiados por algumas noites nas celas de uma prisão qualquer e voltam depois para suas atividades criminais sem grande importância. Mas uma organização criminosa deixa qualquer milícia preocupada, os "Adagas das Sombras".

Não se sabe ao certo quando esse grupo surgiu, mas a fama das habilidades fez crescer a popularidade entre os pequenos ladinos que atuavam em diversas cidades do continente e assim estes procuravam uma maneira de ingressar nas "Adagas", como ficaram conhecidos. Esse fato ajudou a organização a expandir-se pelo mundo rapidamente. Hoje não há cidade na qual os guardas não tenham problemas com essa facção criminosa.

Apesar de serem tão afamados por seus excelentes serviços, é extremamente complexo contratar uma das "adagas". Para se obter o serviço dessa guilda é preciso seguir uma série de passos que variam de acordo com o local. É comum engraçadinhos que começam a fazer perguntas demais pelas cidades desaparecerem por uns dias. Voltam a surgir, normalmente sem os pertences, mas quando questionados sobre o que aconteceu não dizem nada e preferem não se queixar a milícia. 

Apesar de serem temidos por muitos as "Adagas" não são um grupo de assassinos e é isso o que mais atrai a clientela, afinal sempre é melhor um "serviço" limpo do que alguém sujando a cena do crime com o sangue e levantando suspeitas.

As Cinco Lâminas

A neve forrava o chão e contrastava com a pele de ébano daquela bela mulher. Junto dela vinham quatro homens que deixavam marcas profundas no solo esbranquiçado. Era um grupo bem peculiar. Quando se conheceram não passavam de jovens tolos em buscas de aventuras, mas agora era diferente. Haviam se tornado fortes e por onde passavam realizavam feitos dignos de canções.

Andavam em fila. Shorah, a mulher do deserto, nascera em Dhunas. Demonstrou desde cedo habilidades com as lâminas curvas tão famosas no local e seu pai decidiu treiná-la. Sua mãe possuía conhecimentos mágicos e ensinou a filha tudo o que podia, Shorah mostrou aptidão para isso também e logo se tornou uma feiticeira promissora. Baken era apenas um escudeiro em Porto Vermelho, sempre fora extremamente forte e mortífero com sua espada de duas mãos. Ecthelion viera de Anärion, suas lâmina fina e habilmente forjada era fascinante e talvez o fascínio que seus inimigos mais temessem. Khori nascera nas profundezas da montanha Dente do Dragão, seu pai era regente do lugar. A habilidade deste anão com o machado era notória. Por último e não menos habilidoso vinha Ghontar, um orc nascido nas ilhas da guerra. Caminhavam em silêncio, haviam sido contratados para exterminar uma fera que estava aterrorizando uma vila no extremo norte do continente. Não sabiam ao certo o que enfrentariam, mas não temiam. Sabiam que a falha significaria a morte e por isso não era uma opção. Um neve fina começou a cair nada que atrapalhasse talvez até o nevoeiro ajudassem-os a chegarem sem serem percebidos.

Quando avistaram o covil da fera perceberam logo do que se tratava. Um jovem dragão branco repousava em cima da entrada de uma caverna. Os mercenários trocaram olhares, já se conheciam muito bem e sabiam o que tinha que fazer. Então se separaram e prepararam o ataque.

Shorah avançou. Estava só, os outros estavam em seus postos. Ela iniciaria o ataque. Concentrou-se e disparou uma bola de fogo contra o dragão que foi surpreendido pelo golpe. Então suas duas espadas irromperam-se em chamas e ela esperou o revide. O dragão avançou contra ela e Ghontar atacou o flanco direito com sua espada dupla, Ecthelion flanqueou o inimigo pela esquerda e Khori surgiu por trás no local onde antes o dragão repousava, habilmente saltou as costas do inimigo o atacando com seu machado. O dragão estava cercado e então soltou seu hálito gélido em todas as direções afastando os atacantes. Khori foi lançado de suas costas e caiu, Ecthelion e Ghontar se protegeram como podiam e Shorah repeliu o ataque utilizando suas armas como escudo. Quando o dragão cessou o hálito os quatro atacaram juntos e o dragão se viu novamente acuado. O ar gélido que subia pela garganta da fera foi subitamente interrompido pela afiada espada de Baken. Juntos todos desferiram seus golpes e o corpo inerte da besta tombou. O sangue manchava o solo branco. A missão havia terminado.

Os cinco embainharam suas lâminas e partiram para a divisão dos espólios e ainda haveria uma gorda recompensa quando voltassem. Trabalharam juntos por muito tempo e após um tempo se separaram. Retornaram para suas casas ou foram atrás de aventuras.

Sabe-se que Baken recebeu uma alta patente em Porto Vermelho, sua cidade natal. Shorah voltou para Dhunas e depois desapareceu. Ghontar retornou as ilhas da guerra onde tentou trazer a paz para seu povo, ficou lá por algum tempo e depois tomou um navio para o sul. Khori voltou para a montanha e assumiu o cargo do pai na regência do Dente do Dragão. Ecthelion esteve na batalha de Anärion e posteriormente foi para a Cidade da Floresta, a última vez que foi visto estava tentando segurar os orcs que tomaram a cidade para que os outros elfos fugirem.
As lendárias lâminas que os mercenários um dia empunharam lado a lado continuaram suas batalhas sozinhas. Os feitos deste grupo foram cantados por todos os cantos do mundo, as habilidades que cada um possuía tornaram-se lendárias. Ficaram conhecidos como "As Cinco Lâminas" e não importa onde esse nome seja dito sempre causará admiração e inspiração em jovens que desejam uma vida de aventuras.

O diário de Erindil

"Há alguns anos eu liderava uma expedição em nome da guilda Arcana. Nosso destino era uma pequena ilha ao sul do antigo reino de Anärion. Um aventureiro passou por aqui e nos avisou de que ao passar por perto da ilha avistou uma cabana abandonada. Até onde eu sei os elfos nunca habitaram aquele lugar e ficamos intrigados e fomos investigar.

A viagem foi dura. Tivemos que tomar muito cuidado para que os orcs que hoje em dia habitam o antigo reino dos elfos não nos vissem. Mas conseguimos chegar a tal ilha e assim como havia nos sido dito lá estava a velha cabana. Fomos numa embarcação alugada. Comigo haviam mais dois pesquisadores, um homem dos Agnathy e um outro da Ordem da Fé. Eu entrei só na cabana e a primeira coisa que avistei foi um livro em cima de algo que outrora fora uma mesa. Quando foleei o livro fiquei admirado e espantado, em minhas mãos estava um diário que relatava os últimos dias de vida de Erindil Anärion, o primeiro rei dos elfos do sul. Por um impulso guardei o diário em minhas coisas e o mantive oculto dos outros. Aquilo era parte de minha história e eu queria ser o primeiro a conhecer.

Encontramos outras coisas como vocês caros companheiros bem sabem. Mas eram pergaminhos com informações imprecisas que nada mais pareciam que devaneios transformados em textos. Mas agora eu lhes trago o diário e após anos debruçado na leitura e interpretação do que aqui está escrito eu vos digo que nada do que li é falso e encontrei profecias que já ocorreram, estão ocorrendo ou ainda estão por vir. Reuni a todos aqui primeiramente pra pedir desculpas pelo tempo que ocultei esse achado mas os chamei principalmente para uma alerta, precisamos agir e depressa."

Finihen, o mago verde - diante do Conselho dos Sábios

O Pico das Corujas

Certa vez no Grande Templo, os cinco sábios representantes do conselho se reuniram e mandaram trancar a sala de conselho por oito dias. Assim foi feito e após o prazo acabar as portas foram abertas e dentro da sala havia apenas cinco majestosas corujas que ao verem a saída bateram suas asas e desapareceram.

Na sala do conselho foi encontrado um pergaminho com a assinatura dos sábios que entraram lá mas não saíram. Haviam as seguintes palavras:
Tudo o que sabemos será um dia esquecido, vimos muitas coisas mas uma vida jamais será suficiente para aprender tudo. O conselho irá tentar o improvável, negociaremos com os deuses, ofereceremos o que nos for pedido e em troca só pediremos o dom de conhecer tudo que passou e tudo que virá. Se aquele que ler isto não nos encontrar não se abale pois é provável que nosso desejo tenha sido atendido.
O homem que tinha o pergaminho na mão correu até a saída e o que viu foram as aves que estavam na sala voando em direção as montanhas ali próximas. Às vezes aqueles pássaros eram avistados novamente nos arredores do templo.

Os homens que assumiram o conselho dos sábios foram até a floresta dos druidas e pediram ao Grande Druida que viesse até o Templo tentar comunicar com aqueles animais quando eles reaparecessem. O druida atendeu ao pedido e quando chegaram as cinco aves lá estavam como se soubessem do que viria a acontecer. O Grande Druida então conversou com os animais por um breve instante e depois as corujas alçaram voo e por muito tempo não voltaram ao Grande Templo. Quando perguntado sobre o que disseram o druida respondeu que aqueles aves ganharam o dom de tudo conhecer mas também só havia um local onde poderiam falar, o mais alto ponto da montanha que fica entre a Lança e a Cidade do Porto.

Prontamente os homens do templo organizaram uma expedição, descobriram que o local era um ponto de muito difícil acesso alguns dos exploradores caíram nas fendas das montanhas e desapareceram somente um chegou até o local e lá encontrou os cinco sábios não mais em forma de corujas. Muitas coisas o viajante queria saber mas somente uma resposta lhe era permitida, o homem precisou de três longos dias decidindo o que perguntar e então perguntou. Quando voltou ao Grande Templo contou o que viu e todos ficaram muito entusiasmados. No outro dia o único viajante que conseguiu retornar havia desaparecido.

Muitos outros tentaram subir até o pico que foi batizado de Pico das Corujas, alguns conseguiram vencer as dificuldades e lá chegaram, ganhavam o mesmo direito que o primeiro que lá chegou recebeu e partiam. O tempo passou e a história tornou-se lenda e eram poucos os que acreditavam em tamanho absurdo. Mas dizem que quando o conselho se reúne cinco majestosas corujas são vistas sobrevoando os arredores do Grande Templo.

O Assassino da Ampulheta

"Era um ladrão destemido o tal do Valdenyz devo confessar - disse o velho no canto da taverna para quem quisesse ouvir, e continuou - não havia guarda da cidade que soubesse como encontrá-lo, mas Valdenyz errou quando confiou demais em um certo cidadão.

O combinado era que os dois se encontrassem na primeira luz do sol e lá estava Valdenyz quando o sol raiou, mas o tratante de seu comparsa o deixara esperando e quando o sol já estava no meio do céu o ladrão resolveu partir. E qual foi sua surpresa quando chegou em casa e viu que todos seus pertences haviam desaparecido e cinco guardas o esperavam mas, como eu disse antes, era destemido o rapaz, atirou sua adaga no primeiro que tentou lhe agarrar e saiu dali em disparada.

Valdenyz sabia quem era culpado e procurou então o tratante traidor. Esperou o momento certo e apanhou o patife cambaleando nas ruas ébrio e vangloriando-se de sua esperteza, num beco escuro a última coisa que o canalha sentiu foi a adaga de Valdenyz arranhando sua garganta. No outro dia tudo o que se ouvia falar pelas ruas era de um homem encontrado com o pescoço cortado e com uma pequena ampulheta sobre o peito.Ao que parece o destemido ladrão virou um justiceiro às avessas e tenho certeza que aquele homem que apareceu ontem morto em sua casa foi morto por Valdenyz, afinal eu ouvi dizer que uma pequena ampulheta repousava em uma cômoda perto da defunto e até onde eu sei o morto num era lá muito atentado aos compromissos que tinha."

— O velho da Taverna Crânio furado após um assassinato misterioso na cidade.

As conchas de Balenna

"Quando os druidas que viviam nas ilhas foram atacados pela primeira vez, Elisa se jogou ao mar. Foram sete dias e quando a luz sumiu do céu ela retornou com as conchas. Duas conchas, uma azulada e uma alaranjada com manchas escuras. Segundo Elisa a concha azul era o 'chamado das águas' e a 'concha escura' só deveria ser soprada no litoral quando chegasse o dia da última luta dos povos do sul, e o chamado só poderia ser realizado por um homem com o sangue dos primeiros e em caso de não haver mais nenhuma esperança.

A concha azul foi soprada.Os druidas foram atacados pela primeira vez e quando suas casas seriam queimadas Lohriel subiu as rochas e invocou as águas. Uma onda gigantesca se abateu sobre o litoral até o local das vilas e apenas os orcs foram mortos pelas águas. Balenna havia atendido o primeiro chamado.

Elisa, a sacerdotisa, já era idosa quando deste ocorrido, e as conchas existem como a história é real. Escrevo das palavras de Lucius, o branco, e de seu próprio diário."

"O povo druida" — do diário de Ghillian, o viajante sobre os povos do sul

                                                                                             

O conto do bardo flamejante



Era uma vez um bardo muito conhecido na Baia do naufrágio por sua excentricidade.
Durante uma certa apresentação na famosa Taberna da Meretriz Perneta na cidade de Farol Corsário nosso querido bardo derramou uma garrafa de Rum em seu corpo enquanto tocava, pra seu azar (ou burrice) o bardo chegou perto de um castiçal acesso, em segundos o bardo ardeu em chamas, mas não deixando de tocar seu bandolim com excepcional virtuosidade!



Por Gabriel "Ló" Arantes

Os Cavalos dos ventos, ou Thallions


Cruzando o rio, ao leste de Villa Forte, a paisagem começa a mudar. Até o litoral o que se vê são montanhas , colinas e pradarias que abrigam bosques e pequenas florestas incrustadas nos vales. Esta é a morada dos Thallions.


Os chamados Thallions, pelos homens, são cavalos selvagens, de extrema velocidade, porém de enorme fúria. Tanto que um Thallion jamais foi domado por um homem comum, que não fosse um druida das montanhas.
Os Thallions vivem nesta região há séculos, desde antes da primeira chegada dos homens, e sempre galopam em bando. Dizia-se, que o povo que comungava com estes cavalos desapareceu há muito tempo no mar, e que eles esperam seu retorno para voltarem a ser cavalos de guerra.

É comum ao subir as montanhas, avistá-los ao longe, indo para os arvoredos ao final do dia.


                                                                             

Ecthelion e a Ailindalë

Ecthelion Leaflong e a Ailindallë
                                                   

Os elfos tiveram dentre seus  recentes mentores Ecthelion Leaflong, e este foi o guia dos elfos durante cerca de cem anos. Ele foi um dos mortos em batalhas na invasão orc recente que tomou a Cidade da Floresta, e pouco antes da batalha ele forjou "Ailindalë", uma espada especial, pois foi feita dos fios de cabelos de Aiundë e Liundawë, suas filhas mortas por orcs num ataque furtivo as cegas ainda em Annarion.
A espada não só o tornou mais forte, mas também continha em si uma chama diferente que ardia quando cortava a carne de orc, chegando a ficar em brasa cauterizante quando utilizada por ele.
Conta-se que Ecthelion a carregou  junto aos 100 quando estes baniram os orcs pela primeira vez, mas numa busca suicida dentro das matas terminou perecendo, não se sabe onde. Os orcs tomaram a Cidade da Florestas e a espada se perdeu, assim como qualquer coisa que ele carregasse consigo neste dia. 
                                                                   


" No interior de seu mais alto conselho, alguns dos elfos anciões resistiram espiritualmente, e são como a bruma dentro da floresta, aguardando para retornar"
                                                                               - Inscrição na Velha Folha, taverna de Lança do Mar



Lírio dos prantos

"O lírio dos prantos produz o mais mortal dos venenos, mas quando colhido no primeiro dia de primavera gera uma poção capaz de curar qualquer enfermidade."
(Hückel - o Alquismista)

O sol da manhã do primeiro dia de primavera entrava pela janela daquele simples casebre, a Esposa então segurou nos braços pela primeira vez o filho, fruto de seu amor. O Marido não se cabia de tanto orgulho com a chegada ao mundo de seu primogênito. Viviam num bosque a beira da estrada e era o dia mais feliz de suas vidas.

O tempo não poderia estar melhor, o Marido cuidava da plantação enquanto a Esposa preparava a refeição e observava seu pequenino filho dormir, um dia tipicamente normal para aquela simples família. O Marido ouviu alguns sons vindos ao longo da estrada, mas nem se preocupou, pois passavam muitos viajantes naquela região. Quando três homens se aproximaram o Marido viu que aquele trio tinha algo de suspeito e avisou a Esposa para que ela se escondesse com o filho dentro de casa, enquanto ele iria averiguar quem eram aqueles estranhos. Quando percebeu do que se tratava já estavam próximos demais. O Marido se desesperou e correu de encontro com os três os atacando com sua enxada, mas não pode detê-los, eles eram muito mais ágeis e tinham as armas adequadas para uma briga. Assim que mataram o Marido os três forasteiros seguiram para casa e arrebentaram a porta encontrando lá dentro a Esposa em prantos agarrada ao seu bebê, eles a arrastaram para dentro da floresta junto com seu filho, lá eles mataram a criança em frente a mãe e fizeram horrores com ela, mas a deixaram viva. Voltaram até a casa e atearam fogo em tudo, não sobrando nada.

A Esposa foi encontrada alguns dias depois ainda com vida por pessoas boas que ali passavam e ajudaram ela a se limpar e alimentar. Levaram ela até uma hospedaria que tinha próximo a estrada e a dona da hospedaria lhe ofereceu um abrigo em troca de serviços assim que a Esposa estivesse em condições de trabalhar. Mas na manhã seguinte a Esposa já não estava mais lá. Alguns dizem que ela voltou para a floresta onde o filho foi morto e até hoje vagueia por lá.

Histórias contavam que pessoas que passavam pela floresta encontravam uma mulher que chorava, e onde suas lágrimas caiam nasciam os mais belos e perfumados lírios, que foram chamados de Lírio dos Prantos, não se sabe até onde a história é verdadeira, mas essa flor só é encontrada num bosque perto daquilo que restou de uma pequena cabana que a muito foi consumida pelo fogo.

Por Mônica Fracca